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A guerra pelo poder

20 Maio

Estamos sempre em guerra.
E é bom que assim seja.

Há sempre alguma coisa em nós que não nos deixa em paz. Alguma coisa com que lutamos, alguma coisa que não temos e que queremos conquistar.

À medida que vamos crescendo as nossas batalhas vão mudando. Desde conquistar protecção, aprovação social, segurança, etc… mas quando entramos na arena do trabalho, onde passamos décadas da nossa vida, a luta é pelo poder.

O poder é a capacidade de determinar o destino de uma coisa. Quer essa coisa seja pequena ou grande. É determinar que livros vão sair da estante, ou que pessoas vão sair da empresa. O poder envolve coisas a que dificilmente somos indiferentes. Reconhecimento, autoridade, estatuto, influência, respeito.

Até que ponto podemos lutar pelo poder? Até que ponto é uma luta saudável ou uma luta doentia?
Há 2 extremos que convém evitar para se conseguir travar uma guerra saudável pelo poder:

Extremo 1: fugir do poder
Às vezes fugimos do poder como se achássemos que é uma coisa má, ou como se só fosse possível ser verdadeiramente livre se não tivéssemos qualquer tipo de responsabilidades. Chegamos até a achar que essa radicalidade é uma espécie de heroísmo, mas na maior parte das vezes é apenas uma infantilidade.
É necessária mais força de vontade para conviver sistematicamente com esse desejo de poder, do que querer viver uma vida sem a tentação do poder. Precisamos de aprender a conviver com o desejo que temos, não como uma coisa má da qual devemos fugir, mas como uma coisa que pode ser usada ao serviço do que mais valorizamos.

Extremo 2: desejar apenas o poder
Há muitas pessoas que vivem verdadeiramente enamoradas pelo poder. E o que é que faz um apaixonado?
Um apaixonado só pensa na sua amada. Não descansa enquanto não está com ela. Faz o que for preciso para se aproximar dela. Fica ciúmento se existe mais alguém a desejá-la. O problema é que quem permanece sempre na paixão acaba por ignorar coisas também importantes, simplesmente porque está vidrado no seu objectivo. Os apaixonados vivem com um medo sempre crescente de perder o poder que já conquistaram. E secretamente – na sua paixão infinita – querem sempre mais poder (que nunca será saciado). Os apaixonados precisam de educar o seu desejo para o serviço aos outros, em vez de pensarem apenas em si.
inesperado.org - a guerra pelo poder
A luta tem que ser travada com uma consciência cada vez mais afinada sobre as nossas motivações. Qual o fim para que queremos o poder?
Para podermos exercer influência nos outros? Para ganhar reconhecimento e admiração? Para melhorar o nosso estatuto, a nossa carreira, a nossa vida? Ou para usá-lo ao serviço dos outros?

Mas interessa não só o fim para que se luta, mas também os meios que se usam.
Há preços a pagar que são demasiado elevados. E não estamos apenas a falar de horas excessivas de trabalho e de enormes sacrifícios familiares e pessoais, estamos a falar de coisas que não se podem comprometer, independentemente da luta em que se está. O respeito pelos outros, a verdade e a honestidade não podem ser dobrados em função dos nossos interesses, por mais nobres que sejam.

Talvez o poder mexa tanto connosco porque gostamos muito da ideia de nos auto determinarmos. De termos controlo da nossa vida. E quando vemos que não conseguimos determinar tudo na nossa vida, é bom ter algumas coisas que estão sobre o nosso controlo, que são feitas à nossa maneira. Há de facto pessoas que querem ter muito poder, simplesmente porque não sentem poder nenhum nas suas vidas.

Como nos sentiríamos se perdêssemos toda a nossa influência, toda a nossa autoridade, todo o nosso respeito?
O que restaria? O que ficaria no fim de tudo isso? Continuaríamos a gostar de nós próprios se perdêssemos todo o poder que temos?

As perguntas estão lançadas. As respostas vêm na luta.
Que comece a guerra.

As vantagens de ser um falhado

22 Abr

Vamos encarar os factos: nós somos uns falhados. Podemos não o dizer a ninguém, podemos esconder de nós próprios, mas não conseguimos evitar aqueles pensamentos marotos:
Nenhuma relação que tenho bate certo.
No trabalho só faço asneira.
Sinto-me a ficar para trás.
Tenho vergonha da minha forma física.

Rapidamente nos consideramos um falhanço monumental, e a verdade é que o somos. Apesar de nos babarmos só a imaginar uma vida de suposto sucesso – família perfeita, carreira respeitável, dinheiro abundante e aparência invejável – a verdade é que a nossa vida está cheia falhanços desastrosos.

As boas notícias é que há várias vantagens em ser um falhado:
1. Só não falha quem não tenta.
Normalmente quem é um falhanço é porque tentou alguma coisa. Quer tenha sido lançar uma empresa, começar uma relação, candidatar-se a um trabalho, só o acto de tentar já é memorável. Tudo o que vale a pena fazer, vale a pena falhar a tentar. Só não falha quem não tenta.

2. Quem não falha não tem amigos.
Ninguém é muito amigo de uma pessoa que nunca falha. As pessoas invulneráveis, seguras de si e cheias do seu sucesso não dão espaço para mais ninguém. Pelo contrário, é natural sentirmo-nos próximos de alguém que confessou um seu falhanço: Ah ele também passou por isto? Que engraçado eu também… Ah ele fez aquilo?… curioso como fiz uma coisa parecida…
Partilhar os nossos fracassos, mostrar vulnerabilidade, é um caminho aberto para relações genuínas.
inesperado.org
3. Muitos falhanços fazem um humilde.
Apesar de ser uma chatice, o caminho mais seguro para quem quer ser humilde é ser humilhado muitas vezes. E para se sentir humilhado nada como uma boa dose de falhanços. Eles magoam o nosso orgulho e vaidade mas devolvem-nos a nossa justa dimensão. Muitas vezes as pessoas mais humildes são as que sabem que muito falharam.

4. Cresce-se mais a falhar.
As alturas de maior crescimento na nossa vida não são quando fazemos tudo bem, mas quando falhamos e temos consciência da razão pela qual falhamos. Curiosamente, quando as coisas correm bem nem sempre crescemos muito, porque nem nos damos ao trabalho de pensar no que fez as coisas correr bem. Pelo contrário, o falhanço é um reality check muito mais persuasivo: obriga-nos a encarar de frente o que fizemos e como o poderíamos ter feito melhor. O crescimento mais eficaz pode vir quando damos um espalho monumental.

5. Um falhado pode arriscar mais.
As pessoas que fazem tudo bem, costumam ter muitas coisas a que se agarrar. E por terem muitas coisas, têm também muito a perder. Pelo contrário, os falhados têm pouco a perder, e por isso, podem arriscar mais. No trabalho, por exemplo, a reputação de quem arrisca muitas vezes e vence algumas, será provavelmente melhor do que quem tem medo de falhar e tenta apenas coisas seguras. Os falhados podem arriscar mais, e por isso mesmo têm muito mais a ganhar.

6. Os falhados têm mais humor.
Uma pessoa até pode ter convicções opostas às nossas, mas se tiver sentido de humor até nos entendemos. Com o sentido de humor conseguimos fazer coisas extraordinárias. Acontece que os falhados confrontam-se regularmente com as suas figuras rídiculas, com surpresas desastradas e com acontecimentos inesperados, e isso já é meio caminho andado para se ter mais sentido de humor. Os certinhos acabam por ser tremendamente aborrecidos, e os falhados… ao menos esses são bem mais divertidos.

7. Ninguém espera muito dos falhados.
Os holofotes costumam estar virados para as pessoas bem sucedidas. Isso acaba por ser uma tremenda vantagem para os falhados – porque estão fora do radar – e por isso têm muito mais liberdade para surpreender toda a gente. Ninguém espera grande coisa de um falhado, tal como ninguém quer apostar no cavalo mais lento. Mas são esses falhados que podem surpreender tudo e todos aparecendo do nada com uma ideia revolucionária, com uma relação fabulosa ou com um projecto maravilhoso.

Por estas e por outras razões o falhanço tem-se tornado uma ocupação cada vez mais nobre.
Mas para se ser bem sucedido nesta ocupação… é preciso ser um verdadeiro falhanço.

3 formas de rebentar com a procrastinação

3 Dez

O que é que julgas que estás a fazer? A ler um post a estas horas? Não devias estar a trabalhar? Não devias estar a fazer outra coisa? Pois bem, hoje não te preocupes, podes ficar aqui. Podes ficar porque vamos falar precisamente sobre isto: sobre a procrastinação.

Procrastinar é adiar as coisas que realmente precisamos de fazer. Sim, um talento nato que todos partilhamos: adiar projectos, trabalhos, conversas… Se nos pagassem para adiar coisas, estaríamos milionários.

Mas porque raio temos esta tendência para procrastinar?
O nosso cérebro é maroto: prefere pequenos prazeres agora, do que uma recompensa depois. E como prefere sentir-se bem agora do que depois, troca os pequenos prazeres presentes de estar distraído – online e offline – pelo gozo futuro de ter terminado um trabalho desafiante. É mais divertido estar agora na internet – a navegar ao ritmo de clicks, imagens e estímulos – do que preparar um trabalho difícil que temos pela frente. O único inconveniente é que fazendo apenas o que apetece agora, nada fica feito.

Inesperado.org - procrastinacao

Mas como podemos então avançar com o que temos a fazer,
e rebentar com a procrastinação?

1.Comer o porco às fatias.
Muitas vezes as tarefas que temos pela frente parecem-nos grandes e feias. Mas se as partirmos em pedaços mais pequenos, tornam-se mais fáceis. É difícil comer um porco inteiro, mas se o partirmos às fatias… é uma maravilha.
Para facilitar a digestão, ajuda ir dando pequenas recompensas por cada fatia que comemos. Isto é, para não adiar demasiado tempo o prazer de estar a fazer o que devíamos, vamos-nos premiando por pequenos avanços. Por exemplo: trabalhar 40 minutos afincadamente, e depois parar 10 minutos para descansar e fazer uma coisa que nos dê gosto: ouvir uma música, ler um artigo, ver um vídeo,etc.
Estes tempos podem-se depois alargar à medida que o leitor se habitua a digerir porcos de maior envergadura.

2. Estabelecer prazos.
A parte mais difícil de começar um projecto é começá-lo. E a melhor forma de o fazer… é começando. Mas para avançar ajuda ter uma pressão saudável, um prazo que nos estimule. Se não temos prazos definidos, o mais natural é irmos ao sabor do que nos apetece fazer. E normalmente trabalhar no duro não é apetecível.
Caso não haja pressão externa para avançar – o que costuma ser mais eficaz – temos nós próprios que estabelecer prazos exigentes. É fácil queixarmos-nos das pessoas a quem prestamos contas, mas na realidade nós somos terríveis chefes de nós mesmos. Temos por isso que pensar em formas inteligentes que nos forcem a avançar, fazendo por exemplo aquele telefonema que sabemos que vai por a coisa a rolar. Ou mandar o email que nos vai obrigar a fazer o follow up. Ou contar a um amigo o que definimos e dar-lhe a autorização para nos pressionar…

3. Remover todas distracções.
Na altura em que vamos por as mãos à obra, subitamente parece-nos fundamental consultar o email, arrumar a secretária, ouvir uma música ou falar para o lado. Todas essas ideias nos parecem bestiais. Mas não são.
O que temos que fazer para nos isolarmos do que nos distrai? Desligar o telemóvel, a internet, o computador? Comprar uns headphones?
Temos que tomar uma decisão consciente para remover todas as distracções a priori, sem cair na ilusão da nossa extraordinária disciplina para ir rejeitando uma a uma estas pequenas distracções. Na altura, todas elas vão parecer imperiosas e bestiais, quando só nos afastam sorrateiramente do que temos a fazer.

Basta de desculpas, distracções e projectos furados. É hora de rebentar com a procrastinação. É hora de ir trabalhar.

7 formas de arranjar inspiração quando ela falta

1 Out

Há momentos em que precisamos de inspiração e não a encontramos. A folha em branco que temos pela frente continua fabulosamente branca, e na nossa cabeça não há ideias novas.

A inspiração ajuda-nos a produzir o que precisamos, quer seja um relatório no trabalho, um documento na faculdade ou até um discurso de aniversário.
Mas o que fazer nas alturas em que nos falta a inspiração?

7 formas de ter inspiração 2
Aqui ficam 7 formas – algumas aparentemente contraditórias – para encontrar inspiração:

1. Ligar o radar.
Por vezes as ideias novas vêm de ligações entre coisas que já existem. Ligar 2 pontos que ninguém tinha ligado antes. Para isso ajuda ter o radar ligado: ler livros, ouvir música, ver coisas novas, viajar, conversar com pessoas diferentes, etc. Estar imerso em muitas ideias, ajuda a fazer novas ligações e a estimular a inspiração.

2. Criar um prazo.
Não interessa se é real ou inventado, mas antes levá-lo sempre a sério. Ter uma data para terminar um trabalho obriga-nos a focar e produzir. Nada como ver o prazo a chegar ao fim para ter inspiração…como se dizia no Calvin&Hobbes: A minha inspiração é o pânico de última hora.

3. Começar a trabalhar.
Às vezes achamos que as coisas aparecem feitas sem trabalharmos nelas. Para resolver um desafio, não há nada como trabalhar nele. Inacreditável, não é?
A inspiração pode vir no duche mas é mais comum que venha à secretária, com o rabinho sentado a trabalhar. Os poetas dizem que o poema está na ponta da caneta. A inspiração só chega se começarmos a trabalhar.

4. Isolar as distracções.
Na altura em que vamos por as mãos à obra, subitamente parece-nos fundamental consultar o email, arrumar a secretária, ouvir uma música ou falar para o lado. Todas as desculpas nos parecem bestiais. O que temos que fazer para nos isolarmos do que nos distrai? Desligar o telemóvel, a internet, o computador? Comprar uns headphones? Ir para uma biblioteca onde não há distracções?

5. Ficar aborrecido de morte.
Quando temos um problema difícil pela frente – quer seja criar uma música, um texto ou uma apresentação – é natural ficarmos aborrecidos. Não apetecer trabalhar nisso. Mas é fundamental resistir ao aborrecimento, porque se aguentarmos o suficiente a inspiração aparece. Ficar sentado, reparar como o nosso corpo reage, os pensamentos que passam pela cabeça, mas permanecer ali. Do outro lado do aborrecimento está a inspiração.

6. Ir correr para o jardim.
Quando estamos demasiado tempo sem inspiração para resolver um desafio, ajuda deixar a secretária de lado, e mexer o corpo. A posição de corcunda à secretária não ajuda. Mais vale esticar as pernas, dar um passeio ou ir correr. O corpo também tem ideias.

7. Partilhar ideias.
Sair da nossa cabeça, e partilhar com outras pessoas as nossas ideias. Por exemplo, escrevendo um post com 7 formas de arranjar inspiração.

Less is More

29 Jan

Fazem falta coisas simples, directas ao ponto e funcionais.
Fazem falta produtos de fácil utilização e sites intuitivos, que não nos considerem aliens. Fazem falta electrodomésticos que não exijam ler um manual do tamanho de um romance de Dostoiévski, e serviços que não tenham políticas de privacidade com 50 páginas.

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A intenção não chega II

12 Jun

Hoje em dia, precisamos muito de almofadas. Mas daquelas almofadas fofas. As que nos aquecem e que nos dão um enorme conforto ao encostar a cabeça. Os mais perspicazes já estão a ver para onde isto vai. Os outros, acham que a qualquer momento começarão a aperecer pop ups intrusivos a recomendar colchões picolin e almofadas moles.

Enquanto ainda não rebenta publicidade neste jardim da blogosfera, vamos falar disso mesmo. Vamos falar de como todos os jardins da nossa vida rapidamente são invadidos, algo indelicadamente, por novas mensagens, chamadas de atenção e solicitações. Referimo-nos portanto ao mar de coisas barulhentas e indiscretas que povoam a nossa vida: sms, mupis, notificações, emails, anúncios, flyers, imagens, vídeos….

É frequente estarmos numa reunião de trabalho e o tlm tocar – mesmo silenciosamente – com uma nova mensagem, ou um email que chegou. E logo dispara o pensamento: “O que será? Será que é importante? Será que é aquele assunto que não posso adiar?”.

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