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A luta das comparações.

9 Jul

Vamos abrir a caixa de Pandora?
O que é que se passa com a nossa tendência para nos compararmos com os outros?

Está gravado no nosso interior uma lógica que nos faz comparar day-in day-out com a malta que está à nossa volta (ou nos ecrãs):
Txi, como o namorado dela a trata… que querido… e eu… nada.
Txi, casa com vista para o rio… e eu a viver num t0 a cheirar a fritos…
Txi, ela faz sempre viagens espectaculares, e eu… daqui não saio…

Estes pensamentos piratas assaltam-nos sem piedade. E nós temos uma atracção perversa para deixá-los entrar.
Ainda para mais, estas comparações surgem com 2 formas habituais:
1. Eu em baixo: Olha ela tem isto, e eu não tenho. (isto = namorado, vestido, carro, emprego, bebés, férias, etc ).
2. Eu em cima: Olha eu sou muito melhor que todos nisto.

Ou usamos as comparações para nos sentirmos pequeninos ou para nos sentirmos grandes. Uma fica pelas lágrimas da autocomiseração, outra pela vaidade e soberba. Parece que estamos sempre a querer provar aos outros o nosso valor. Ou nos sentimos muito em baixo porque os outros têm coisas que não temos, ou rapidamente pomos todos em baixo, para parecer que estamos em cima. Nesta luta das comparações, todos perdem.

inesperado.org_a luta das comparações

Mas como podemos usar então esta força danada?
1. Tomar consciência do que está escondido.
Aproveitar as comparações, ter coragem e fazer perguntas duras a nós mesmos: porque me comparo tanto neste aspecto? O que invejo nos outros que não tenho? Que parte da minha vida não me deixa em paz? o meu corpo, os meus amigos, a minha família, o meu passado?
Nas comparações estão escondidos segredos acerca do que mais nos pesa. Shhh, ninguém precisa de saber.

2. Descobrir o que me torna diferente.
Se não me comparasse com os outros, não chegaria à conclusão que sou único. Que sou esta pessoa igualmente brilhante e cretina.
Um grau mínimo de comparação é saudável, para tomar consciência do que me torna diferente.
Hello, ninguém desenha como tu desenhas… tens aí um talento!
E nada de falsas humildades nem orgulhos desmedidos: tenho jeito para quê? Dançar, liderar, cozinhar, organizar, falar, criar, ajudar?
É necessário reconhecer as coisas que somos bons a fazer, e pôr isso no mundo. (ele agradece)

3. Fazer comparações felizes.
Quando comparamos, normalmente imaginamos uma vida ideal da outra pessoa. Mas a pessoa que comparamos e invejamos também tem problemas e também vai ter cabelos brancos e rugas. A sério, vai ter. Ah, mas ela é casada e tem 2 filhos, quem me dera!

Pois… mas tem uma sogra que nem queres imaginar. Quando comparamos… deixamos sempre as sogras de lado.

Mas se é para teimar e comparar, porque não olhar antes para comparações felizes?  Porque não olhar para pessoas que nos inspiram e nos fazem querer ser melhores? 

Deixemo-nos então de comparações desesperantes e de atitudes arrogantes. Vamos tomar consciência das nossas motivações, reconhecer com humildade o que somos bons e usar inspirações que nos ajudem a ser realmente melhores.

Isto das comparações não é uma luta com os outros. É uma luta connosco. Vamos a isto?

Falta de pachorra? (parte II)

24 Jun

I want it all, and I want it now. 
Assim cantavam os Queen, e assim cantamos nós: queremos tudo, e queremos agora!
Exigimos que as coisas da vida corram à nossa maneira, sem qualquer piedade.
A semana passada falámos de algumas impaciências mais ligeiras que nos vão acontecendo. Hoje vamos levantar pesos mais pesados e falar de coisas de crescidos. Seguramente as nossas vidas não correm exactamente como planeámos. Aliás, tantas vezes correm tão longe do que imaginámos e tão longe do que gostaríamos.

É precisamente quando as coisas não correm como planeado que a paciência é chamada a entrar em acção. Porque quando a coisa vai controlada e à nossa maneira aí estamos todos bem.
Agora quando nunca mais encontramos o namorado que queremos, o trabalho que gostaríamos, ou a forma física que queríamos, aí é que vemos.
Com certeza que não vão faltar ocasiões na vida em que achamos: que raio, isto nunca mais avança! Nunca mais percebo qual será o meu caminho! Porque é que este sofrimento não se resolve!

inesperado.org_falta de pachorraII

Acontece que gostamos muito de ser activos, produtivos e úteis. Achamos que a paciência é uma perca de tempo, para gente que não sabe lutar, conquistar. Um desperdício de energias quando podíamos estar a fazer coisas realmente importantes. Achamos que é uma espécie de amuo, um encolher de ombros resignado, um olha, paciência!

Nada disso! A paciência é uma espera inteligente. É uma actividade passiva.
É tolerar o que não corre bem e aceitar que não controlamos tudo. É perceber que há coisas que levam o seu tempo, e que não fazemos puto ideia de quanto tempo será!

É que simplesmente há coisas que não conseguimos apressar. E se as apressarmos podemos estragá-las. Uma educação não se apressa, um amor não se apressa, um coração não se apressa. Há coisas que levam o seu tempo, e fogem completamente ao nosso controlo. E isso pode ser muito assustador.

Não gostamos de esperar, mas a paciência é muito amiga da esperança. Sim, sim. Andam de braço dado e passeiam juntas. Só tem paciência quem espera que venha aí alguma coisa de melhor. Mais paciência pede sempre mais esperança.

A paciência é também um músculo. Durante a infância está meio atrofiada- não precisamos bem de usá-la – mas depois quando entramos na arena dos adultos, vai sendo cada vez mais chamada à acção. E das duas uma: ou continua atrofiada, ou a desenvolvemos para sermos capazes de levantar grandes pesos. Nunca é tarde para ficar em forma. Esse músculo ajuda-nos em tantas coisas diferentes!
É tão importante ter paciência com as pessoas de quem gostamos, com os sofrimentos que não compreendemos, com as dificuldades que nos aparecem todos os dias.

Precisamos muito de paciência, porque só ela dá tempo e espaço a que coisas novas possam nascer.
Há transformações que só acontecem se formos pacientes. Coisas que achamos impossíveis podem acontecer se formos pacientes.

É realmente bom lutarmos por objectivos e dar tudo por tudo pelo que acreditamos. Mas também temos que aprender a paciência. Paciência connosco, paciência com os outros, paciência com a vida. Das coisas pequeninas da vida até às grandes, todas nos pedem uma dose generosa de paciência.
Vamos dá-la, cada vez com mais esperança, cada vez com mais confiança.

Falta de pachorra?

18 Jun

Há dias em que nos sentimos sem paciência.

Voltar a ouvir as birras daquela pessoa?
Fazer de novo aquele trabalho que não gostamos?
Explicar a mesma coisa 100 vezes a quem não percebe?

Não tenho que aturar isto! Que falta de pachorra…
Contudo, acabamos por fazer o que temos a fazer: lidar com as mesmas pessoas e resolver os mesmos problemas. Fazêmo-lo de queixo cerrado, pensamentos irritados em looping e algumas bocas sarcásticas para quem aparecer. Ninguém está a salvo de um generoso ataque de impaciência: filhos, amigos, namorados, irmãos e pais.

O que é que podemos fazer então?

1.Ter cuidado com os ditadores
Temos que ter cuidado com essa voz que impõe o que queremos, como se de um mini ditador se tratasse. Ele anda cá dentro, todo fardado, a fazer discursos inflamados sobre como as coisas deveriam ser. Fica cada vez mais irritado, tem cada vez mais exigências e grita cada vez mais. É um indivíduo consideravalemente feio e intolerante.Temos que ter cuidado com ele e não lhe dar demasiada papinha. Não queremos engordar o pequeno tirano, porque ele é guloso e quer cada vez mais. Ele pensa apenas nos seus interesses e leva tudo à frente. Manda em muita gente e magoa outra tanta. Vamos aceitar que ele anda por aí, mas não o vamos levar demasiado a sério.

2. Rir quando calhar e quando não calhar

inesperado.org_falta de pachorra

Há alturas em que nos sabe bem rir: à volta da mesa com amigos, de cerveja na mão, num ambiente descontraído. Agora no trânsito? Ou a lidar com aquela senhora chata? Ou a fazer o que não nos apetece?
Mas não há nada como um ataque de riso na altura em que não apetece rir. Há pessoas que têm um dom para nos fazer rir, especialmente quando não queremos rir. Vamos aproveitar isso, e vamos aliviar a falta de pachorra com muito riso, especialmente quando não vem nada a calhar. O riso é uma forma de paciência.

Porque não nos rimos daquilo que nos está a deixar impacientes? Se eu me quisesse rir, de que me podia rir? O que é ridículo neste momento?

3. Perceber quem sai a ganhar
As pessoas que estão sempre muito impacientes com os outros, no fundo acabam por estar muito impacientes consigo mesmas. Se há alguma coisa que me irrita tremendamente no outro, é provável que tenha que ver com alguma coisa dentro de mim que não gosto tanto. A falta de paciência com o outro é também uma falta de paciência comigo.

As nossas impaciências magoam as pessoas de quem gostamos e magoam-nos também a nós. Ao perdermos a cabeça com os nossos filhos, amigos ou família, estamos não só a magoá-los como a alimentar a nossa intolerância, manias e caprichos. Na falta de pachorra ninguém sai a ganhar, mas todos saem a perder.

Não vão faltar ocasiões em que perdemos a paciência – desde o tipo que não avança no sinal verde, passando pela velhota que não sai da frente no passeio ou as discussões de sempre em casa – mas se queremos dar uma vida melhor às pessoas de quem gostamos e a nós mesmos, vamos ter que ser pacientes com a nossa impaciência.

3 ideias para o próximo Réveillon

11 Jun

Passaram 6 meses desde o início do ano.
Possivelmente fizemos alguns propósitos de vida no Réveillon, já bem regados por uma champanhota barata e aconchegados por uns manjares quentinhos. Mas com a distância de meio ano, veio-me a pergunta: porque raio será o fim do ano a melhor altura para fazer propósitos para a nossa vida? Porque é que fazemos balanços apenas no final do ano? Porque não vamos reflectindo mais vezes?

É que há um calendário interior que tem pouco que ver com as 12 passas e pés direitos. Deixemos o ano civil levar a sua vidinha, e nós levamos a nossa. Por vezes é bom ir afinando para onde queremos ir, mesmo não sendo ano novo. Não é preciso fazer reflexões solenes nem entrar em obras. Basta parar e pensar um bocadinho.

Sim, se quiserem podemos chamar Réveillon às alturas em que queremos pensar na vida. Ficamos logo mais alegres, não é? Pois bem, aqui ficam 3 ideias para ajudar a pensar na nossa vida. 3 ideias para o próximo Réveillon:

1. O progresso mede-se em décadas. 
Foi o que me disse um amigo, e eu acreditei nele. Depois, dei-lhe um pontapé e disse que tinha que esperar 10 anos para ver se o biqueiro fazia progredir a nossa amizade.
Ao pensar na nossa vida, não vale a pena entrar em exageros e dramas (tão apetecíveis à malta jovem). Olhar com perspectiva ajuda a relativizar tanto os mini-sucessos, como as coisas que correm mal. Levar a vida com desportivismo, sem grandes ânsias e investir nas coisas de longo prazo. E devagar devagar, bem cá dentro, vão nascendo as coisas que realmente valem a pena. O caminho é longo, temos muito para andar, e para chegarmos onde queremos ajuda…

inesperado.org_3 ideias para o próximo Réveillon

2. Estar em boa companhia.
Há um provérbio japonês que diz : ao lado do teu amigo, nenhum caminho será longo. Que boa ideia teve o sr. japonês, hein? Realmente sozinhos custa muito mais. É tão bom ter alguém com quem podemos partilhar o que nos cansa e o que nos anima: família, amigos, namorados. Alguém que partilha um pouco do nosso caminho é um grande dom. Sozinhos não vamos lá. Em boa companhia vamos bem mais longe. Vale a pena investir tempo em “boas companhias”, e já agora…

3. Encontrar espaço para as coisas que realmente nos realizam.
Por vezes esquecemos-nos de nos mimar com as coisas que nos ajudam a ir mais longe. Perdemos muito tempo e espaço interior com pensamentos que não ajudam em nada: não valho nada, nada corre como gostaria, há tanto para fazer...
Em vez de perdermos tempo a entreter esses pensamentos, vamos antes ocupar-nos com coisas que realmente nos realizam. Que coisas serão?
Se calhar é ajudar quem está aflito, ou ir correr junto ao mar, ou ler um bom livro, ou passear com um amigo, ou ir viajar…
Vamos deixar-nos de tretas e arranjar tempo e espaço para as coisas que realmente nos realizam.

A força do bipolarismo.

4 Jun

1. Distúrbio bipolar: forma de transtorno de humor caracterizado pela variação extrema do humor entre uma fase maníaca, hiperatividade física e mental, e uma fase de depressão,  lentidão para conceber e realizar ideias, e tristeza. (Isto é o que nos ensinam os senhores que trabalham na cabine da wikipedia.)

Mas nós vamos rebentar com esses senhores, e tomar no nosso regaço uma definição mais leviana de bipolarismo: a capacidade de nos alegrarmos muito e de nos entristecermos muito. Tudo isto muito rapidamente. Ou seja, a capacidade de viver nos extremos, no mesmo dia, na mesma hora.

2. Às vezes passamos muito tempo a tentar estar no meio. Viver sem ondas, sem chatices, sem imprevistos. Viver serenamente num estado de limbo, sem tristezas que doem ou sem alegrias que exaltam.  A verdade é que os que estão sempre no meio são uns chatos. Ou então uns resignados. Muitas vezes quem quer uma vida sem exaltações já está meio morto, mesmo sem o saber. Mas para quem vê de fora, é fácil reconhecer um cadáver.

3. Pois bem, parece que o que nos faz falta é um certo bipolarismo. Ou seja, falta-nos a capacidade de estar nos extremos, sem nos assustarmos demasiado com isso. É tão bom ver malta apaixonada. A discutir, a gritar, a fazer disparates. Bem melhor do que aqueles namorados mornos, com sorrisos complacentes e e atitudes moles.

Devíamos ser maníacos. Dançar e gritar de alegria. Ter ataques de riso, e rir dos que se riem de nós.
E também saber estar triste. Levar isso a sério.  Até com fúria. É 100 vezes melhor ver alguém irritado com as coisas que doem no coração e no mundo, do que os indiferentes, já cheios de resignação mal maquilhada.

inesperado.org_força do bipolarismo

4. Isto revela uma certa saúde. Ainda que louca. É bom uma pessoa alegrar-se e entristecer-se genuinamente. Este bipolarismo saudável ajuda a ir libertando a pressão, e a gozar a vida a cada momento. Beber uma cerveja fresca com todo o gozo do mundo, e de seguida levar uma má notícia, com a devida tristeza.

Às vezes a malta quer aguentar ali na estabilidade e tranquilidade demasiado tempo, e depois acaba por acumular tanta pressão, que ao chegar aquele sms ou aquela boca,  pumba liberta-se o monstro! Colega, isso era desnecessário. Bastava ires-te rindo –  sem adiar a alegria que te é dada agora – ou chorando – fazendo luto do que perdeste –  e estarias bem melhor.

5. Fait attention! este bipolarismo nada tem que ver com ser manipuladora, caprichosa e fazer cenas. Nem com malta sempre a mudar de opinião, sem nenhum compromisso de fundo com a vida. Trata-se de ter desportivismo e humor quando se está nos extremos, sem fazer grandes dramas. O bipolarismo não nos impede de tomar decisões consistentes de longo alcance, antes nos traz leveza na forma como encaramos este segundo (o que acabou de passar).

6. O bipolarismo funciona nos 2 sentidos. Às vezes assustamo-nos com a rapidez com que nos vamos a baixo com qualquer coisinha –  tantas vezes coisas que nem percebemos de onde vêm – mas da mesma forma também podemos de repente ficar autenticamente alegres.
Do melhor podemos ir para o pior, mas do pior também podemos ir para o melhor. E isso é bom para não levarmos demasiado a sério nenhum dos momentos. They come and go. 

7. Como dizia o Pablo Neruda: evitemos a morte em doses lentas. Evitemos ser mornos.
Libertemos antes a força bipolar que vive dentro de nós,  para viver com coração todos os momentos que temos, sem dar demasiada importância a dramas.

A vida é uma aventura, e os mornos ficam de fora.

Não percebes nada

14 Maio

Temos imensos conhecimentos. Sabemos nomes de pessoas, curiosidades, histórias e sítios.
Sabemos medir as coisas. Temos métricas, critérios e opiniões. Sabemos compreender as coisas. Fazemos análises, explicações e lógicas. Aprendemos a fazer muitas coisas diferentes, desde escrever um email a temperar uma salada.

Mas apesar de sabermos tanta coisa, por vezes não percebemos puto do que acontece connosco. Não percebemos uma dor de coração, não percebemos o que realmente nos faz felizes nem para onde estamos a ir.
Muitas coisas permanecem misteriosas apesar de ficarmos horas a olhar para elas.

inesperado.org, inesperado, mudança. decisões, paciência, confiança, esperança, Simone Weil

E isto chega a ser violento porque é difícil aceitarmos que não percebemos nada. Temos a ambição de saber tudo, sobre tudo. Temos uma secreta vaidade de ter uma opinião sobre tudo. Uma certa arrogância ao ter certezas sobre as coisas. Gostamos de compreender porque é que os outros fazem aquelas coisas. E nós estas.

No meio deste terreno de dúvida e ausência de respostas, algumas ideias amigas podem trazer consolo:

Ir mais fundo.
É bom procurar muito. Ter muitas perguntas. Querer saber mais da nossa realidade e da dos outros.
Esta ausência de respostas, obriga-nos a ir ao fundo. Redescobrir quem somos, o que queremos, e em que direcção estamos a andar. Ter perguntas e não ter respostas obriga-nos a viver de forma mais empenhada e fundamentar bem os nossos gestos.

Estar mais atento.
A Simone Weil dizia que a atenção é a forma mais pura de generosidade. Não compreender algumas coisas ajuda-nos a estar atentos. A estar à espera, em silêncio com olhos muito abertos. Como um pescador que está atento ao mar. A olhar para a superfície, sabendo que há em movimento no interior que não vê nem compreende.

Suspender o julgamento.
Somos uns chefes tramados connosco próprios. Pomos prazos impossíveis para resolver certos assuntos. Pomos prazos de validade na nossa vocação, nas relações, nos trabalhos. (E todos os prazos estão a caducar.)
O resultado tem que estar em cima da secretária naquele dia.O problema tem que estar resolvido.
Devíamos antes aprender a suspender o julgamento sobre o significado de certas coisas. Devíamos ser menos precipitados na interpretação do significado das coisas.

No meio deste terreno em que tanta coisa fica por compreender, precisamos sobretudo de aprender a ser muito mais pacientes connosco próprios. Precisamos de confiar muito. Confiar que há o bigger picture da bigger picture e que o sentido das coisas leva tempo a ser compreendido.
Só compreenderemos com nova verdade a nossa vida se tivermos uma paciência que supera a impaciência. Se vivermos com uma esperança para além do que se podia esperar.

Direito à insegurança

7 Maio

Falamos muito de segurança.

Segurança rodoviária, segurança no trabalho, segurança emocional e até fazemos descontos para a segurança social…

Mas e se falássemos antes da insegurança? Se falássemos antes das coisas que nos assustam, nos deixam vulneráveis e  inseguros?

Honestidade Brutal II

12 Fev

No último artigo vimos que a honestidade marca a relação que temos com as pessoas de quem gostamos. Como pode levar as pessoas à nossa volta a viver uma vida melhor, e como nos pode fazer crescer. Sabemos também como é difícil sermos honestos. Como temos que ter sensibilidade, um sentido de timming e procurar realmente o bem da outra pessoa. Sem peixeiradas e sem pedras na mão.

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Acertar à primeira

22 Jan

Gostamos de fazer tudo bem à primeira. Gostamos dessa imagem nossa. Gostamos de aprendizagens rápidas e imaculadas. Gostamos de tarefas dominadas logo.

Claro que a pressão de acertar à 1ª tanto pode vir de dentro como de fora. Ou seja, da conversa que temos connosco (dentro) ou de quem está à nossa volta e nos pressiona (fora). Neste artigo vamos focarmos-nos no que vem de dentro, porque depende maioritariamente de nós. Quanto à influência externa, sabemos que vivemos sobre uma certa pressão (O Bowie e os Queen já cantavam sobre isso), mas por agora deixemos isso de lado.

Se na nossa cabeça dançam frases tipo “devia ser capaz, não posso falhar, vais ser alvo de gozo se falhares…” , temos um problema. É delicioso ver como estes pensamentos escalam duma ligeira hesitação para uma derradeira constatação de fracasso humano… “tenta fazer bem…não podes falhar…se não acertares à primeira és miserável…és um fracasso…não vais conseguir…eu sempre soube, não serves para nada.” Ahah.

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És Original?

4 Dez

Já ouviste dizer que a originalidade é um defeito de fabrico do homem?

Isto dá que pensar acerca do que é ser original. Será ser diferente a todo o custo?
Ter tatuagens em sítios que não queremos sequer imaginar? Estar sempre do contra? Fazer coisas chocantes?

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