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O combate do herói vilão

11 Fev

inesperado.org_os heróisQuem não gosta de um bom épico?
Uma aventura grandiosa em que os heróis combatem os vilões, para devolver a paz e harmonia ao universo? Quem não gosta de ver um herói muito herói a derrotar um vilão muito vilão? É uma maravilha! São as histórias mais fáceis de serem gostadas, especialmente porque os bons ganham sempre e acabam com a miúda mais gira do planeta.

O único probema destas lutas épicas é que a realidade não é nada assim. Não há heróis nem há vilões, ainda para mais tão arrumadinhos e penteadinhos.
Mas nós gostamos tanto dessa ideia que achamos que a vida é assim: as pessoas ou são óptimas ou são terríveis. Ou ele tem razão ou não tem. Ou escolho este lado ou aquele. Vivemos numa dicotomia, em que temos que optar lados, fazer juízos e decretar quem é o herói e quem é o vilão.

Afinal, como é possível aquela pessoa gostar de mim e tratar-me mal? Como é que ele é tão bom e depois faz aquele disparate? E como é que ela é arrogante mas depois é tão querida? Continuar a ler

Tu és um sacaninha

28 Jan

inesperado.org - es um sacaninha
Vou-te dizer uma coisa: tu és um sacaninha do pior. Eu sei que não gostas de ouvir isto, mas consegues ser um pequeno estafermo. Não finjas que não é contigo, porque é. Tens dentro de ti um sacaninha que faz todo o tipo de disparates. Sim, sim, aquele tipo de coisas que sabes que não te levam a lado algum: procrastinar eternamente, dizer mal dos outros, pensares só no teu mundinho, fazeres apenas o que te apetece, ignorares todas as pessoas que não te interessam, e por aí fora. É este sacaninha que vive dentro de ti que te faz fazer essas coisas.

Bem sei que é mais fácil culpar coisas fora de ti: o chefe, a sogra, a família… Mas já basta de bodes expiatórios não? Tudo o que te incomoda, perturba e assusta não está nessas pessoas, está em ti mesmo. Basta de culpar os outros – o que te fizeram ou deixaram de fazer – para a tua vida não estar bem. O teu pior inimigo não está lá fora, está dentro de ti. É desse sacaninha que estamos a falar. Continuar a ler

As vacas não dão sumo

21 Jan

inesperado.org- vacas e laranjasAs vacas dão leite, as laranjas dão sumo de laranja. Estas 2 ideias parecem simples, mas não são. Aliás, um dos nossos grandes dramas é baralhar as duas.

O drama vai passando despercebido, até ao momento em que desejamos um sumo de laranja.
E o que seria razoável fazer quando queremos suminho? O razoável seria ir às laranjas. Mas não! O que fazemos é ir ter com a vaca e dizer: Passa para cá o suminho! Ao que ela responde: Muuuuh.
Não queremos dar parte fraca, mas ficamos cada vez mais irritados. É um desplante o raio da vaca não nos dar o suminho que queremos! E ela diz: Muuuh. Enquanto não tivermos o que queremos, não saímos dali, nem que a vaca tussa. E realmente a vaca não tosse, e responde apenas: Muuuuh. Continuar a ler

O monstro e a pessoa ideal

14 Jan

inesperado.org - a pessoa idealPor mais fantástica que seja a tua roupa, ela está mais bem vestida.
Por muito competente que sejas, ela faz um trabalho melhor.
Por muito divertidas que sejam as tuas histórias, ela faz sempre rir mais.
Por muito bem que cozinhes, ela cozinha pratos ainda melhores.
Por muito bem que penses, fales ou vivas… ela é sempre melhor.

Mas afinal quem é esta pessoa?
É simplesmente a construção que fizemos na nossa cabeça da pessoa ideal. É a imagem que inventámos algures pelo caminho, da pessoa que queremos para partilhar a nossa vida. Tipicamente é uma pessoa desenhada para uma relação próxima, mas há quem se especialize em fabricar dezenas de pessoas ideais, para aplicar a amigos, colegas e até estranhos. Depois de estar fabricada, esperamos genuinamente que as pessoas de carne e osso correspondam a ela. Continuar a ler

Vais ficar sozinho. E isso é bestial

12 Nov

Gastamos muita energia para tentar garantir que não ficamos sozinhos. Queremos ter a certeza que vai lá estar sempre alguém para nos compreender e animar. O que faria todo o sentido, não fosse um pequeno pormenor: isso é impossível.

Quer seja durante 1 hora ou 1 década, vamos ficar sozinhos. O problema não é esse. O problema é o que significa ficar sozinho na nossa cabeça.

Estar sozinho assusta porque sugere que vamos ficar desamparados. Como se ninguém se preocupasse connosco. Fazemos muitas coisas para não nos sentirmos assim: começar uma relação sem futuro, comprar um cão, passar horas na internet, ou culpar outros…mas nada disso vai ao fundo da questão.

Na realidade o que nos assusta não é uma coisa exterior a nós. O que nos assusta somos nós. É o que vamos pensar e sentir quando estivermos apenas connosco. Se não estamos com ninguém, estamos condenados a passar tempo connosco. E como muitas vezes não gostamos de nós próprios… fazemos tudo para não estar sozinhos.

Ficar sozinho pode ser uma coisa bestial, precisamente porque nos força a estar bem connosco. Essa aprendizagem – por muito longa ou dolorosa que possa parecer – não tem comparação com a liberdade, força e coragem que vamos ganhar.
Quem evita estar sozinho vive sempre em medo. Tem medo do pode vir a acontecer e de como se vai sentir. E caso tenha alguém, vai estar sempre com medo de perder essa pessoa. Por outro lado quem está bem consigo, está bem com toda a gente: saber estar a sós consigo mesmo, muda a forma como se está com qualquer pessoa.

Vais ficar sozinho

Estar sozinho, mesmo quando gostariamos de estar acompanhados, não tem que ser um drama.
Querias estar a ver filmes com a pessoa de quem gostas, e não estás. So what?
Querias ter companhia a dar um passeio ou almoçar fora, e não tens. So what?
Querias poder falar do teu dia e como te estás a sentir, e não podes. So what?

Basta de dramas. O que fazemos com o tempo que nos é dado? Lamentamos-nos do que não temos e como ninguém nos compreende, ou fazemos alguma coisa em relação a isso?

Os problemas enfrentam-se, não se evitam. Temos que aprender a viver a nossa vida, sozinhos. Não porque não podemos confiar em ninguém, ou porque o mundo é mau, mas porque mais ninguém o vai fazer por nós. Há coisas que vamos sempre viver sozinhos quer seja porque naquele momento não há ninguém, ou porque não podemos falar, ou simplesmente porque não adianta nada partilhar.

Claro que ninguém quer estar sempre sozinho, nem sentir-se abandonado. Mas nos momentos em que ficamos a sós connosco, ou os aproveitamos ou não. Seguramente já experimentámos momentos em que estamos sozinhos e estamos óptimos. Momentos em que vivemos o que temos e aproveitamos isso ao máximo. Viver assim é uma escolha nossa: se ninguém cuida de nós, então cuidamos nós.

Só uma coisa é garantida: vamos ficar sozinhos. E isso vai ser bestial.

2 alternativas para a tua insanidade

15 Out

Achamos que a insanidade é coisa de maluquinhos que passeiam na rua de cuecas. Mas não. Todos nós já somos insanos de alguma forma. Basta pensar que o que uma pessoa insana faz é tentar mudar o mundo da realidade para encaixar com o mundo que está dentro da sua cabeça. Se uma dessas pessoas acha que é o Napoleão, faz com que o mundo exterior bata certo com essa ideia. Se acha que é o capitão cuecas… então lá vemos mais um na rua a passear de cuecas.

Mas não são necessários estes exemplos idiotas. Basta pensar no que fazemos mais ou menos todos os dias da nossa vida: metemos uma ideia na cabeça e esperamos que a realidade bata certo com ela. Se não bater, fazemos beicinho e ficamos chateados.
O facto de termos a ideia que amanhã fará bom tempo, que não haverá dificuldades e que vamos estar animados, não faz com que a realidade seja assim. A realidade não muda em função das ideias que temos na mioleira.

Mas a parte engraçada é que ficamos tramados quando a realidade não encaixa com o que temos na cabeça. Ora bem, perante esta diferença entre a realidade e o que está na nossa cabeça, temos 2 brilhantes alternativas:

inesperado

1. Mudar a nossa cabeça.
Ao contrário do insano, a pessoa “sã” analisa a realidade e depois muda o que está dentro da sua cabeça para bater certo com os factos. Inteligente, não é? Sim, mas muito desconfortável. Porque implica trocar o que é familiar pelo que é estranho. É como se estivéssemos a usar um mapa antigo para uma região nova. Essa troca de “mapas” exige coragem e amor à verdade. A mudança dentro da nossa cabeça acontece quando percebermos que o mapa novo ajuda-nos a ir mais longe que o mapa antigo.

E o pior que pode acontecer? Termos escolhido um mapa pior, e termos que voltar ao anterior.

2. Mudar a realidade.
Se não estamos para “mudar de mapas”, porque achamos que ainda estão actualizados, a outra alternativa é mudar a realidade. O que dá muito trabalho.
Se já mudar a nossa pequena massa cinzenta é uma trabalheira agora mudar a de várias pessoas… é tramado. Mas é possível.
Precisamente porque há pessoas insanas, loucas e sonhadoras, é que avançamos e exploramos novos territórios. Por vezes precisamos de questionar aquilo que damos por adquirido. Precisamos de criar coisas que não existem e lutar por ideias novas.

E o que pode acontecer de pior neste caso?
Bem… podemos sempre acabar a passear de cuecas na rua.

Tenho mais que fazer do que gostar de ti

8 Out

Somos bichos sociais que gostam de receber festinhas. Nem nos importa se são festinhas dadas por amigos ou por estranhos.
Se nos fazem sentir que gostam de nós, então está tudo bem. Queremos passar uma boa imagem e queremos que gostem de nós. Faz parte do nosso fabrico.

Mas a parte engraçada – e perigosa – é quando começamos a representar um papel para gostarem de nós.
Quando diminuímos fraquezas e exaltamos qualidades para sermos bem vistos. Quando começamos a comprometer aquilo que somos e acreditamos para agradar aos outros. Quando nos vendemos a preço de feira.

Chegamos ao ponto de nos irritarmos se alguém não gosta de nós ou não nos trata bem. Achamos que o mundo nos deve uma espécie de consideração permanente pelo simples facto de existirmos.

Contudo, investir tempo a tentar que os outros gostem de nós é tolo por várias razões:
1. O que os outros gostam não está no nosso controlo.
Conseguimos forçar alguém a gostar de um quadro, de uma música ou de uma cidade? Hmm…é tramado. E se estivermos a falar de pessoas… é impossível. O que os outros decidem gostar não depende de nós.

fazer o que tu queres

2. As relações genuínas não têm teatros.
Nós não gostamos dos nossos amigos ou família pelo papel que representam. Não gostamos pelo que parecem ser, gostamos pelo que são. Gostamos pela sua autenticidade, por serem exactamente como são. As relações que mais valorizamos não têm representações.

3. Impressionar outros gasta muita energia.
Arranjamos todo o tipo de histórias para impressionar os outros. Gastamos horas preciosas a congeminar que perguntas fazer, que roupa usar, que frases dizer. Consumimos demasiado tempo e força a tentar convencer os outros, quando às vezes nem nós estamos convencidos…

Mas na realidade, as pessoas têm mais que fazer que gostar de nós. Têm mesmo. Cada pessoa tem uma vida cheia preocupações, desafios e alegrias. Todos vivemos vidas importantes. Demasiado importantes para perdermos tempo assim.

E se optássemos antes por ser autênticos em tudo o que fazemos?
E se usássemos a energia gasta a impressionar os outros para fazer alguma coisa extraordinária?
E se em vez de esperar que gostem de nós, começássemos a gostar dos outros?

Consumir ou não consumir?

16 Set

Um dos nossos defeitos de fabrico é a necessidade de consumir coisas.

Consumir roupas, acessórios, livros, gadjets, telemóveis e por aí fora.
Coisas que nem sempre precisamos, mas que normalmente deixam a carteira com frio.
Como saber então que consumir ou não consumir? Como evitar comprar tralha desnecessária? Como evitar aquela sensação de termos gasto mais dinheiro do que podíamos?

Apesar da ideia que aí vem ser desagradável para quem está com aquele impulso maroto de fazer uma compra nova… o melhor é esperar.

A sério, fechar a carteirinha, dar meia volta e ir para casa. (sim, para te consolares podes ver uma série no sofá)

Há várias boas razões para esperar, especialmente em compras que envolvem algum dinheiro:

1. Esperar faz o desejo aumentar.
Esperar ajuda a preparar-nos para o que desejamos. Podemos informar-nos bem sobre o que queremos comprar, e ter a certeza que é realmente uma boa compra. Dá muito mais gozo estudar bem o que queremos, fazer uma encomenda e esperar que chegue, do que passar numa loja e comprar logo à bruta o que nos apetece.
2. Poupar é melhor que usar crédito.
Por vezes para satisfazer uma necessidade de consumo, usamos crédito para termos logo o que queremos. O problema  é que ao usar crédito satisfazemos a necessidade imediatamente, mas ainda não a pagámos. Ficamos a pagar em maravilhosas suaves prestações, que duram bem mais do que o tempo que gozamos o que comprámos. Se esperarmos, temos tempo de poupar, e depois usar dinheiro que temos, sem precisar de pedir crédito.
3. Despistar para não ser despistado.
Se sentimos aquela necessidade matadora de consumir, podemos despistá-la com outras compras que nos “saciem”, mas que saem mais baratuxas. Comprar uma comida boa para nos mimar, um disco novo, coisas mais em conta. Talvez nos apercebamos que queríamos apenas um miminho e assim não nos despistámos com nenhuma extravagância.
inesperado.org - consumir ou nao consumir 17.9.13

Os economistas adoram dizer que temos necessidades ilimitadas, e recursos limitados. E têm razão. Por isso, para os nossos escassos recursos e necessidades ilimitadas, temos que saber fazer melhores escolhas.

E para isso ajuda não só esperar como fazer algumas perguntas antes de consumir:

Preciso realmente disto? Quanto tempo me vai durar?  Em média quantas vezes por semana vou usar isto?  Isto serve para outras pessoas ou só para mim?

Bem melhor que o alívio de satisfazer uma necessidade imediata de consumo, é a satisfação de saber esperar e comprar uma coisa que realmente queremos.

Só mais um centímetro sff.

22 Jul
Há sempre alguma parte do nosso corpo que gostaríamos que fosse diferente.
Somos demasiado baixos ou demasiado altos. Gordas ou magras. Cabelo a mais ou a menos. Ombros largos ou estreitos… e por aí a fora num festival de imperfeições. Queremos sempre só mais um centímetro para chegar à altura ideal…

Mas esta preocupação com os nossos defeitos traz consigo alguns inconvenientes:
1. Desperdiçamos muita energia.
Tentamos teimosamente disfarçar os nossos pequenos defeitos, para ninguém reparar neles. Porque se repararem…- ahh terror – talvez deixem de gostar de nós!  ( Sim, é comum as pessoas que gostam de nós dizerem: Gosto mesmo de ti… mas sabes… esse teu sinal na cara…hmmm não vai dar!). Gastamos energia que podíamos usar para outras coisas fabulosas.

2. Ficamos egocêntricos.
Cada um está convencido que o seu pequeno defeito é o supremo erro, mais irritante e embaraçoso que qualquer outro. Ignoramos que aquela modelo que parece perfeita, está igualmente obcecada com a forma do seu polegar. Pensamos no que não nos foi dado, no que podemos fazer para ser diferente, no aspecto que não temos. Pensamos em nós, nós, nós. E esquecemos os outros.

3. Confundimos a aparência com o interior.
Não perdemos uma grama do nosso precioso valor por termos a aparência que temos. Mas perdemos tempo, coração, energia a tentar aparentar ser o que não somos. O nosso aspecto não dita quem somos.  Ao preocuparmos-nos excessivamente com a nossa aparência achamos que o exterior vai mudar o nosso interior. Mas funciona ao contrário.

só mais um cm sff
Na realidade, o desafio é cá dentro e não lá fora.
Se quisermos mudar o nosso corpo, podemos sempre recorrer a plásticas. Mas isso não muda a forma como nos sentimos em relação a nós. ( e a nossa carteira, essa não nos perdoa tão cedo). É mais fácil aceitar cá dentro qual a nossa aparência, do que tentar mudar a imagem que está no espelho. É 100 vezes preferível rirmos-nos na cara dos nossos defeitos do que chorarmos por não sermos perfeitos. Sim, rirmos-nos à brava com aquele jeito invulgar que temos de andar, aquela marca de nascença, aquele remoinho no cabelo…

Isto não quer dizer que não procuremos ser saudáveis, estar em forma, vestirmos-nos com pinta e gostar de receber uns elogios fofos. Devemos tirar o rabo da cadeira, comer comida saudável, ter um estilo de vida menos robótico e tudo o mais. Mas chega a um ponto em que temos que viver tranquilamente com a nossa aparência. Nenhum ginásio nos vai dar o que procuramos.

A verdade é que já somos maravilhosos como somos. Conseguimos perceber isto quando temos alguém que realmente gosta de nós, com todos os pequenos “defeitos” que trazemos!

Assim, da próxima vez que nos vier o pensamento à cabeça: Só mais um centímetro sff… podemos responder:
Não, Obrigado.

Eles vão falar de ti.

16 Jul

Tantas vezes ficamos incomodados quando outras pessoas falam da nossa vida. (especialmente quando dizem mal…)

Mas quer gostes quer não… eles vão continuar a falar de ti!

Como podemos então lidar com isso? 

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