Não há situações ideais.

Às vezes pensamos: se tivesse mais tempo, conseguia fazer isto melhor… Se tivesse mais dinheiro, podia ter aquilo, se esta situação ou esta pessoa mudasse, as coisas seriam melhores…

Lembro muitas vezes a história de uma amiga: Quando estava solteira, queria mesmo ter um namorado porque aí sim, estaria contente e feliz. Passado uns tempos começou a namorar… Mas afinal isso não bastava, estaria mesmo bem, quando tivesse casado! E de facto, passados uns anos, assim aconteceu! Esperaríamos que já estivesse satisfeita, mas não, o que faltava mesmo era poder ter um filho. E assim, passados uns tempos, foi mãe… mas por estranho que pareça, alguma coisa ainda não estava bem… queria mesmo era ter um segundo filho! E como se não bastasse, assim foi, tornou-se mãe pela 2ª vez…

A história continua até aos dias de hoje… há sempre algo que lhe falta.

Há sempre algo que nos falta.

Se há um lado maravilhoso disto, o desejo infinito de querer mais, há também um lado perigoso: que esse desejo nos devore.

Somos devorados quando nos sentimos permanentemente frustrados pelo que não conseguimos fazer. Quando buscamos incessantemente o que nos falta. Quando o presente é sacrificado em nome de um futuro melhor.

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Como posso gostar da minha casa, se a sala podia ser maior? Ou gostar da minha sala se não tenho um jardim? Ou gostar do meu jardim se não tenho uma casa de férias?

Se tivesse mais tempo, se tivesse mais dinheiro, se tivesse mais condições…

É assim que somos consumidos: Quando temos o tempo, falta-nos a paciência. Quando temos a paciência, falta-nos a novidade. Quando temos a novidade, falta-nos a estabilidade. Quando temos a estabilidade, falta-nos o tempo. Quando temos o tempo, falta-nos a paciência…

Se reparo apenas no que me falta, nunca terei suficiente.

É necessário aperceber-nos desta dinâmica interminável e reposicionar-nos.

Escolher outro ponto de vista, usando um simples antídoto: a gratidão.

Reparar no que tenho, não no que falta, e agradecer o que me foi dado.

Quando foi a última vez que agradeci as coisas maravilhosas que tenho? Só o facto de conseguir ler (mesmo disparates como este artigo), ou ter dedos que mexem e que podem fazer scroll para cima e para baixo neste ecrã…

Já agradeci a saúde que tenho? Ou a comida que tenho? Ou a família? Ou amigos, ou trabalho?

Isto não se trata de disfarçar a realidade. Se reparar no que tenho a agradecer, terei sempre mais.

Um coração agradecido é um coração satisfeito.

Isto não resolve os problemas da vida mas devolve-nos um olhar mais livre.

Na vida não há situações ideais. Ou se há, passam rápido.

Lançar um projeto vai ser sempre uma bagunça. Fazer um trabalho novo vai ser sempre desafiante. Mesmo as férias em alguma praia paradisíaca vão ter sempre algo a faltar…

Mais vale desfrutar do que temos. Fazer o melhor possível com o que temos pela frente, sem nos queixarmos ou afligir-nos.

Usemos a falta de tempo, dinheiro ou motivação para nos focarmos no que realmente é importante. Vou-me dedicar a quê? O que é essencial na minha vida? E com quem o vou fazer?

Se eu tivesse apenas mais uma semana de vida, como a viveria?

Zangado por não ter cumprido todas as minhas exigências ou agradecido por tudo o que posso ser e fazer?

Não vale a pena viver o presente à espera de um futuro que será melhor.

Viver com maturidade é saber viver com problemas por resolver. É conviver com as dificuldades e apesar disso construir algo bonito.

Não dá para termos o dinheiro, o tempo, os amigos, a família, os filhos, o descanso, etc… Pode haver tempo para tudo, mas cada coisa a seu tempo.

E agora, o único tempo que temos é mesmo este. Por muito imperfeito, desafiante ou cansativo que seja, é o único tempo que existe.

Aproveitemo-lo ao máximo.

2 pensamentos

  1. excelente regresso do Inesperado. ajuda muito ler estas dicas à 2ª feira, ajuda a preencher o vazio do dia a dia. Uma perspectiva diferente e inteligente para refrescar a cuca. Muito obrigado!

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