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2 alternativas para a tua insanidade

15 Out

Achamos que a insanidade é coisa de maluquinhos que passeiam na rua de cuecas. Mas não. Todos nós já somos insanos de alguma forma. Basta pensar que o que uma pessoa insana faz é tentar mudar o mundo da realidade para encaixar com o mundo que está dentro da sua cabeça. Se uma dessas pessoas acha que é o Napoleão, faz com que o mundo exterior bata certo com essa ideia. Se acha que é o capitão cuecas… então lá vemos mais um na rua a passear de cuecas.

Mas não são necessários estes exemplos idiotas. Basta pensar no que fazemos mais ou menos todos os dias da nossa vida: metemos uma ideia na cabeça e esperamos que a realidade bata certo com ela. Se não bater, fazemos beicinho e ficamos chateados.
O facto de termos a ideia que amanhã fará bom tempo, que não haverá dificuldades e que vamos estar animados, não faz com que a realidade seja assim. A realidade não muda em função das ideias que temos na mioleira.

Mas a parte engraçada é que ficamos tramados quando a realidade não encaixa com o que temos na cabeça. Ora bem, perante esta diferença entre a realidade e o que está na nossa cabeça, temos 2 brilhantes alternativas:

inesperado

1. Mudar a nossa cabeça.
Ao contrário do insano, a pessoa “sã” analisa a realidade e depois muda o que está dentro da sua cabeça para bater certo com os factos. Inteligente, não é? Sim, mas muito desconfortável. Porque implica trocar o que é familiar pelo que é estranho. É como se estivéssemos a usar um mapa antigo para uma região nova. Essa troca de “mapas” exige coragem e amor à verdade. A mudança dentro da nossa cabeça acontece quando percebermos que o mapa novo ajuda-nos a ir mais longe que o mapa antigo.

E o pior que pode acontecer? Termos escolhido um mapa pior, e termos que voltar ao anterior.

2. Mudar a realidade.
Se não estamos para “mudar de mapas”, porque achamos que ainda estão actualizados, a outra alternativa é mudar a realidade. O que dá muito trabalho.
Se já mudar a nossa pequena massa cinzenta é uma trabalheira agora mudar a de várias pessoas… é tramado. Mas é possível.
Precisamente porque há pessoas insanas, loucas e sonhadoras, é que avançamos e exploramos novos territórios. Por vezes precisamos de questionar aquilo que damos por adquirido. Precisamos de criar coisas que não existem e lutar por ideias novas.

E o que pode acontecer de pior neste caso?
Bem… podemos sempre acabar a passear de cuecas na rua.

3 ideias para o próximo Réveillon

11 Jun

Passaram 6 meses desde o início do ano.
Possivelmente fizemos alguns propósitos de vida no Réveillon, já bem regados por uma champanhota barata e aconchegados por uns manjares quentinhos. Mas com a distância de meio ano, veio-me a pergunta: porque raio será o fim do ano a melhor altura para fazer propósitos para a nossa vida? Porque é que fazemos balanços apenas no final do ano? Porque não vamos reflectindo mais vezes?

É que há um calendário interior que tem pouco que ver com as 12 passas e pés direitos. Deixemos o ano civil levar a sua vidinha, e nós levamos a nossa. Por vezes é bom ir afinando para onde queremos ir, mesmo não sendo ano novo. Não é preciso fazer reflexões solenes nem entrar em obras. Basta parar e pensar um bocadinho.

Sim, se quiserem podemos chamar Réveillon às alturas em que queremos pensar na vida. Ficamos logo mais alegres, não é? Pois bem, aqui ficam 3 ideias para ajudar a pensar na nossa vida. 3 ideias para o próximo Réveillon:

1. O progresso mede-se em décadas. 
Foi o que me disse um amigo, e eu acreditei nele. Depois, dei-lhe um pontapé e disse que tinha que esperar 10 anos para ver se o biqueiro fazia progredir a nossa amizade.
Ao pensar na nossa vida, não vale a pena entrar em exageros e dramas (tão apetecíveis à malta jovem). Olhar com perspectiva ajuda a relativizar tanto os mini-sucessos, como as coisas que correm mal. Levar a vida com desportivismo, sem grandes ânsias e investir nas coisas de longo prazo. E devagar devagar, bem cá dentro, vão nascendo as coisas que realmente valem a pena. O caminho é longo, temos muito para andar, e para chegarmos onde queremos ajuda…

inesperado.org_3 ideias para o próximo Réveillon

2. Estar em boa companhia.
Há um provérbio japonês que diz : ao lado do teu amigo, nenhum caminho será longo. Que boa ideia teve o sr. japonês, hein? Realmente sozinhos custa muito mais. É tão bom ter alguém com quem podemos partilhar o que nos cansa e o que nos anima: família, amigos, namorados. Alguém que partilha um pouco do nosso caminho é um grande dom. Sozinhos não vamos lá. Em boa companhia vamos bem mais longe. Vale a pena investir tempo em “boas companhias”, e já agora…

3. Encontrar espaço para as coisas que realmente nos realizam.
Por vezes esquecemos-nos de nos mimar com as coisas que nos ajudam a ir mais longe. Perdemos muito tempo e espaço interior com pensamentos que não ajudam em nada: não valho nada, nada corre como gostaria, há tanto para fazer...
Em vez de perdermos tempo a entreter esses pensamentos, vamos antes ocupar-nos com coisas que realmente nos realizam. Que coisas serão?
Se calhar é ajudar quem está aflito, ou ir correr junto ao mar, ou ler um bom livro, ou passear com um amigo, ou ir viajar…
Vamos deixar-nos de tretas e arranjar tempo e espaço para as coisas que realmente nos realizam.

Desistir ou Resistir ? (parte II)

28 Maio

No último artigo estivémos a conversar sobre resistir ou desistir dos compromissos que assumimos.
E se é verdade que demasiadas vezes desistimos, e que perdemos oportunidades de nos tornarmos em pessoas que nunca antes fomos, também é verdade que por vezes também faz bem baixar os braços.

Mas quando sabemos que já demos tudo? Quando podemos mandar a toalha ao chão? Em que momento temos o direito a desistir?

rrisco aqui 3  ideias para nos fazer pensar nos compromissos que assumimos:

1. Demasiados compromissos é gula.
Normalmente montamos um circo de compromissos, ocupações, projectos. Andamos sempre em programinhas e reuniões de um lado para o outro, mas está-se mesmo a ver: não vamos conseguir fazer tudo.  Se estamos a falar de compromissos sérios com a vida – como o que sonhamos e acreditamos – não conseguimos ter coração nem cabeça para muito. Um ou dois compromissos já nos enchem o prato.
Quando temos demasiados compromissos, é preferível largar alguns e ficar com os mais importantes, senão ainda lixamos todos.
Conselho paternal: Não tenhas mais olhos que barriga jovem. Vais ficar farto do que tens no prato se te serves demasiado.

2. Muito tempo sem descansar dá disparate.
Às vezes andamos tão cansados que já nem conseguimos descansar. A cabeça continua a bombar mil pensamentos ao minuto, e o corpo ainda reaje quando lhe damos ordens  (rebola, senta, dança), mas apesar disso estamos a chegar ao limite.
Apesar de ser mais comum sermos uns mariquinhas e não irmos para o ringue dar tudo por tudo, por vezes estamos há tanto tempo na pancadaria, que até nos esquecemos que precisamos de descanso. Achamos que aguentamos tudo, mas de repente levamos uma direita fulminante e vamos direitos ao tapete. E desse KO não nos levantamos de um momento para o outro. E isso é chato: deixamos de aproveitar as coisas boas da vida porque simplesmente estamos no tapete a salivar.
Esquecemos que os períodos de descanso e inactividade são tão importantes quanto os períodos de grande esforço, tal como os silêncios entre as notas de uma música. Há um livro que tem um título sugestivo: só avança quem descansa.
Conselho paternal: Quando acordares demasiados dias seguidos estoirada, arranja tempo para descansar. A sério jovem, arranja tempo.

inesperado.org_resistir ou desistir?

3. Deixar de fazer sentido, pode fazer sentido.
Por vezes os projectos, namoros e trabalhos onde estamos metidos tornam-se de uma aridez aflitiva e não vemos neles um sentido mais profundo. É normal ter alturas em que não estamos entusiasmados, em que não sentimos grande coisa, mas sabemos que é isto que nos faz sentido, é isto que queremos e escolhemos fazer, apesar de ser difícil . Mas se nos falta sistematicamente um sentido mais profundo para o compromisso que assumimos, se calhar não estamos a investir tempo no sítio certo.  (E nada de desculpas esfarrapadas para saltar fora, temos que ser brutalmente honestos connosco. )
Conselho paternal: Se o que assumiste deixou de fazer sentido de forma continuada, pensa nisso jovem. E depois decide alguma coisa.

 

Estas 3 ideias parecem contudo insuficientes para responder à pergunta sobre quando temos direito a desistir?

Será que os srs. leitores podem sair da cabine telefónica – já com o fato de super herói – e nos podem ajudar nesta descoberta? Todas as dicas, conselhos e ideias serão recebidas com um abraço.

Desistir ou resistir?

21 Maio

Desde já convém dizer que quem escreve estas linhas é um notável praticante dos comportamentos descritos de seguida…

Ui que sono
Ui estou estoirada
Ui não me apetece nada
Ui isto já não dá pica
Ui afinal é uma seca

Estes pensamentos parecem pipocas a saltar. As nossas cabeças andam esgazeadas, estoiradas, moídas e os desafios que quisémos há uns tempos, já estão a cobrar a sua factura. Está a ser difícil e queremos largar os compromissos que assumimos. Metemos-nos em missões, projectos e ideias  – todos bestiais – mas depois falta-nos a força para os levarmos até ao fim.

O namoro começa a dar chatice, saltamos fora
A tese já pede umas olheiras e apagamos a luz
O excel pede mais umas células e já estamos a fechar o PC
O cliente pede mais uma coisa e assobiamos para o lado

Sim, sim, ao início era tudo brilhante e promissor. Agora damos por nós e estamos nas trincheiras.
Uma gritaria, confusão, tudo escuro e muita lama. Namoros, trabalhos, amizades, testes, ideias, todos acabam por sugerir em voz mansa: se calhar é melhor desistir…

Pois bem. Então qual o problema?
O problema é que deixa lastro.
Achamos que não, mas a malta à nossa volta, percebe que andamos a saltar de compromisso em compromisso. Percebe que não podemos ser levados a sério, porque não levamos as coisas até ao fim.
Olha lá vai aquela que muda de namorado a cada estação.
Olha lá vai aquele que muda de curso todos os anos.
Olha lá vai aquela que está no seu 14º estágio profissional
Deixamos um lastro de descrença à nossa volta.

Qual o problema?
O problema é que deixamos de acreditar em nós.
Estamos a deixar ruínas cá dentro. Coisas que ficaram a meio, que não levámos até ao fim. Ninguém lá fora sabe, mas nós –  por muito sonsos que sejamos connosco – sabemos o que  não cumprimos. Sabemos que não honramos a nossa palavra. Que estamos a deixar cair a toalha sem dar tudo por tudo.
Fazemos tantas promessas a nós mesmos –  vou correr 2 vezes por semana, vou cuidar do meu namorado, vou ser mais disponível para a minha família – que simplesmente não cumprimos. E por quebrar tantas vezes as nossas promessas, já nem acreditamos na nossa própria palavra. Duvidamos da nossa capacidade de levar uma coisa até ao fim.

Qual o problema?
O problema é que é um vício.
Voltamos à idade do triciclo. Todas as semanas queremos uma coisa nova. Mais gira, mais brilhante, mais gratificante. Com mais açúcar sff. Quando começa a não ter graça, damos um chuto no balde, e siga para a próxima Vanessa.
O que assumimos ao inicio como uma coisa que queíiamos apostar- um projecto social, uma tese, uma ideia, uma amizade, uma viagem – agora é rapidamente substituído por uma ideia nova, bem mais promissora. E ficamos infantilmente viciados em novidades.

Toda esta conversa não quer dizer que as circunstâncias, as prioridades e as pessoas mudem… Mas simplesmente acaba por acontecer que deixamos muitas vezes as coisas a meio, e raramente as levamos até ao fim.

inesperado.org_desistir.012

Porquê continuar a lutar?
É que quando as coisas parecem impossíveis, quando nada parece resultar, normalmente estamos a uns milímetros de fazer a coisa acontecer!
Uma curta diferença de atitude perante este desafio, pode fazer uma grande diferença no longo prazo. É como dar uma tacada de golfe, em que basta a diferença de uns milímetros agora mesmo ao acertar na bola, para a diferença ser de dezenas de metros lá à frente. Milímetros aqui dão dezenas de metros lá à frente.

Daqui a 5 anos, lembramos-nos das coisas que levámos até ao fim ou das que foram ficando pelo caminho?
Orgulhamo-nos das coisas em que metemos todo o coração e todo o esforço, ou das coisas que fomos desistindo?
É que não é de espantar que nos apeteça desistir. Há altura que temos o corpo e a cabeça moída de tanta pancada. De tanto insistir e nada correr como planeado. O desvario apetece sempre mais que a fidelidade.

Mas pode ser que aquilo que tanto queremos – e que tanto nos foge – esteja aí mesmo a aparecer em grande. Basta pôr mais uma hora, mais um dia, mais uma semana. Mais entrega, mais sangue, mais lágrimas.

A água ferve aos 100 graus. Aos 99 não passa nada. Basta mais um grau.
Esta ideia pode ser aquela que vai mudar esta macacada toda.

(E mesmo que não seja… estamos a tornar-nos em pessoas que nunca antes fomos.)

Tomar melhores decisões V.

30 Abr

A saga chegou ao fim. A loucura de escrever 5 artigos sobre as decisões que tomamos já está a deixar malta sem dormir noites seguidas, apenas à espera que isto acabe.  Parece aquelas séries que têm longos episódios até chegarem ao grand finale. Mas aqui não há final épico. Há só mais 3 ideias e um pontapé no rabo do leitor. Mas vamos de qualquer forma aproveitar o balanço, e ver como podemos tomar decisões menos cretinas:

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Dormir que nem um anjinho (tomar melhores decisões IV)

23 Abr

Embarcámos numa saga um pouco doentia para compreender melhor a nossa forma de tomar decisões. Já explorámos o que nos motiva a tomar decisões e também os critérios que podemos usar para decidir. Mas não vamos ficar por aí. Vamos ainda tentar arranjar formas de tomar melhores decisões, especialmente para evitar ficar com aquela sensação de “será que tomei a decisão certa?”. Ou seja, como podemos tomar decisões e ficar com a consciência tranquila?

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Kit Combate: melhores decisões parte III

16 Abr

No último artigo vimos que não ajuda tomar decisões apenas para agradar aos outros. E isso despertou muitas perguntas secretas na cabeça dos amigos leitores:
“oooh sim está bem visto não querer agradar a todos, mas então que fazer para além disso?”
“iiih faz sentido, mas que critério uso nas minhas decisões?”
“aaah que interessante, mas que ferramentas há para decidir melhor?”

Vamos então criar uma espécie de Kit de Combate para conseguirmos tomar melhores decisões. Especialmente para quando tivermos à rasca.

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Tomar melhores decisões II

9 Abr

No último artigo falámos sobre como tomar melhores decisões.
Na realidade ninguém falou, é uma força de expressão. Alguém escreveu umas palavras num teclado e outras pessoas leram esses disparates nalgum lado, talvez num cybercafé com música indiana a tocar.

Falámos sobre como escolher é dizer um sim e muitos nãos, sobre como não decidir é em si uma decisão, e por fim, como cada escolha abre sempre um futuro novo. Mas hoje vamos antes ver como melhorar o critério das nossas escolhas.

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Tomar melhores decisões I

1 Abr

A tradicional introdução a um artigo deste tipo seria explicar brevemente do que vamos falar, e dar umas boas razões para a malta querer continuar a lê-lo. Podia-se explicar que todos fazemos escolhas – pequeninas ou grandiosas –  a cada hora de cada dia, e que tudo isso define muito do rumo das nossas vidas espectaculares. Para terminar essa introdução, poder-se-ia lançar os pontos concretos da reflexão, lembrando que podem contribuir para tomarmos melhores decisões e levar uma vida ainda mais espectacular. Seriam pontos como estes:

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Devias ser mais atrevido.

12 Mar
Já é conhecida aquela frase da Eleanor Roosevelt que diz que devemos fazer uma coisa por dia que nos assuste.
Normalmente essa conversa vem acompanhada de um vídeo inspirador com músicas divertidas, e imagens de miúdas bronzeadas a saltarem de cascatas com um ar de quem está mesmo a aproveitar a vida. (sim, há um ar próprio de quem está mesmo a aproveitar a vida )
Mas voltando ao inicio: que riscos somos capazes de correr? Quão atrevidos somos nas decisões que tomamos?