A vaidade e o amor próprio

24 Abr

Geralmente as pessoas gostam de se ver.
Imaginemos: Estou a ver um álbum de fotografias de uma festa a que fui. Sejamos honestos, quem é que estou à procura de ver? Ah pois é… das duas uma: ou estou à procura de mim, ou de alguém que gosto muito. Uma coisa engraçada é ver como em público fazemos comentários genéricos – “ah fiquei péssimo”; “ah, apaga isso!” e fingimos pouco interesse. Mas depois, no recato das nossas casas, na solidão dos nossos pcs ou macs, analisamos detalhadamente cada fotografia. Ou talvez não.

Nota idiota 1:
Ninguém põe fotografias de perfil na internet em que esteja francamente mal. A maioria dos meus amigos e amigas no Facebook parecem modelos e com vidas super interessantes. Não é que não sejam, mas caraças pá, não estás assim tão gata todos os dias. Nem tu, tão musculado a sair da piscina com esse sorriso matador.


Nota idiota 2:
Era giro iniciar um movimento dos não fotogénicos. Escolher como perfil fotografias em que estamos especialmente mal. Vantagens: 1. Muito mais fácil escolher as fotografias porque há muitas mais. 2. Ao vivo acabamos por surpreender pela positiva. 3. Este movimento não é favorável para os que vivem online e que jogam todas as suas cartadas no mundo digital, e que depois na vida real se transformam em ratos.
Nota idiota 3:
Não conheço ninguém que não faça uma cara diferente quando se olha ao espelho. É um momento estranho, mas com imensa graça. Porque fazemos uma cara diferente, meio matadora, meio expectante. A reparar na próxima vez que virem alguém a ver-se ao espelho!

Geralmente as pessoas gostam de se ouvir falar.
Não é por mal, mas gostam. Longos discursos, conversas dispersas e considerações genéricas são habituais. Por exemplo ter que ouvir o tio do amigo a falar das andorinhas do Tejo durante uma hora …
Mas ok, tudo bem, todos o fazemos. Mas porquê?
Por um lado somos criaturas vaidosas, mas por outro lado também faz parte de nós precisarmos de ser ouvidos, de alguém estar preocupado por onde anda a nossa vida e de saber o que nos assusta e entusiasma (mesmo que sejam as andorinhas do Tejo).

É engraçado reparar que falamos sempre para um alguém,mesmo que sejamos nós. O que temos a dizer é sempre numa dinâmica duma relação. A comunicação é feita a 2. Precisamos uns dos outros, e isso é fixe porque estamos ligados, e o nosso bem-estar está relacionado. E o facto de gostarmos de nos ouvir falar, tem muito a ver com esta necessidade de saber que alguém nos ouve, que as nossas palavras são relevantes e no limite, que temos valor.

Mas mastigando isto tudo, será que gostarmos de nos ouvir e de nos ver, significa que gostamos de nós? Não necessariamente.
Pode mostrar que somos vaidosos, que queremos muito provar alguma coisa… é interessante fazer perguntas daquelas difíceis:
1. Se gosto de me ouvir falar ou ver, porque será?
2. Preciso de provar alguma coisa a alguém para ter valor? Que sou inteligente, bonito, interessante, especial?

Temos realmente uma necessidade de sermos importantes e valiosos aos olhos dos outros. Mas partindo dessa necessidade, como a satisfazemos? À força de conseguirmos falar para impressionar os outros, ou de que outras formas?

Sem grandes respostas senão as que cada um der, deixamos aqui um aplauso sentido aos que falam para inspirar os outros, aos que dizem coisas simples e com valor. Aos que são desprendidos e têm fotografias ranhosas. Aos que não precisam constantemente de provar que têm valor, e que são o que são.

12 Respostas to “A vaidade e o amor próprio”

  1. nascri 29 de Setembro de 2014 às 19:10 #

    gostaria de saber como lidar com meu desejo de aprovação constante

  2. Lígia Bandeira - Ceará - Brasil 19 de Junho de 2012 às 3:30 #

    Adorei o texto! Precisei ler muito para descobrir que meu medo de falar em público está exatamente ligado a essas duas questões mencionadas: ao meu excesso de amor próprio e vaidade e ao meu desejo de aprovação constante. Estou trabalhando para mudar exatamente essas duas coisas no meu comportamento.

    • Inesperado.org 26 de Junho de 2012 às 11:15 #

      Excelente Lígia!
      Fico contente por ter ajudado! Continua a aparecer :)

  3. Carlota 25 de Maio de 2012 às 6:15 #

    Bom dia!
    Tb procuro as fotos onde estou bem, será q estou mm bem? Acho idéia genial de iniciarmos o movimento dos n fotogénicos, secalhar vou ter coragem. A vida seria tao mais fácil se esta coisa da imagem n fosse tao importante, de gostarmo dos outros e de nós como somos. Tenho dias q me acho horrível e tenho dias q me acho linda … nos dias q me acho horrível ninguém olha p mim e nos dias em q me acho linda mtos olham p mim e até sorriem. Patético, nao? N foi pq mudei de visual, foi pq mudei de atitude e vi o mundo com outros olhos. A beleza vem entao de dentro e ao acreditar transmite-se precisamente aquilo q sentimos. Se te achas bonita és bonita aos olhos dos outros, se te achas feia és feia aos olhos dos outros. Aceitarmo-nos como somos e pensar positivo é meio caminho andado p q os outros nos achem interessante. E eu adoro pessoas interessantes … n me agrada pessoas q andem sp com problemas com a imagem, ponho-os logo na gaveta da inseguranca … sou um preconceituosa LOL

    Beijocas Carlota, desta vez este comentário n vem de Mocambique mas da Alemanha

    • Inesperado.org 5 de Junho de 2012 às 10:50 #

      Hello Carlota,

      Mto fixe reparares nisso: o brilho que vem de dentro sente-se cá fora… quando estás bem transmites uma beleza diferente!
      Eu também gosto muito de pessoas interessantes, bem mais que as interesseiras :)

  4. Henrique Neto 30 de Abril de 2012 às 11:55 #

    A questao que se pôe é: ” O que é que somos?”. Somos as imagens das fotografias (bem ou mal) e comentarios ou aquele que somos quando acordamos todos os dias para viver o nosso dia-a-dia? O ter ficado bem numa fotografia faz me bonito ou o ter feito um bom comentario me faz inteligente?
    Acho que vem de uma insegurança que todos temos e que faz com que precisemos desses dados como se fossem provas para sustentar o nosso caso (o de sermos bonitos, inteligentes etc…) perante nós mesmos. O unico senao é quando a unica referencia para nos justificarmos perantes nós mesmos sao as opinioes dos outros, outros estes que por sua vez se encontram na mesma situaçao que qualquer um de nós. Somos todos iguais e na nossa vida a principal referencia nao podem ser “os outros”.
    Bom post Valentim!

  5. Anónimo 28 de Abril de 2012 às 11:17 #

    Perdão, isto só pode ser da idade, o comentário anterior é meu, Maria ( anónima ) e não incógnita como escrevi, o seu a seu dono

  6. Anónimo 28 de Abril de 2012 às 11:14 #

    Maria ( incógnita)
    Bom dia alegria.
    É tudo verdade. Necessidade de aprovação, necessidade de ser visto e ouvido. Mas tem dias…, nem sempre é assim. Também há aqueles que só gostam de falar ou de se ver. Por mim, e fazendo confissões porque estou do outro lado do cyber espaço ( será assim que se escreve?) , gosto mais de falar e ouvir falar do que me ver. Vou confessar: sou muito mais bonita ao vivo do que em imagem. Nunca sei como me “hei-de pôr”, ou sai de improviso, e normalmente mal, ou se é pose sai de certeza mal. Os anos passam e as noções de estética variam. No entanto, vamos lá, a maioria das coisas que aqui se escrevem são verdadeiras. Bom fim de semana. Até 3ª feira

  7. Nairo Moniques 24 de Abril de 2012 às 11:11 #

    Na verdade todos temos interesse de vernos nas fotos e ouvir-nos a falar tambem.
    Ai está nao só a vaidade mas tambem a publicidade da gente diante dos outros. Faz bem a alma ser conhecido e reconhecido pelo merito de fazer as coisas.
    Na foto agente tambem busca auto estima de sentir-se seguro diante dos outros. Razão pela qual quando vestimos alguma roupa mesmo que seja roupa antiga, sempre fazemos questão de perguntar o/a companheiro/a se estamos bem vestidos.
    Obrigado.
    Nairo de Moçambique.

    • Inesperado.org 24 de Abril de 2012 às 13:47 #

      Caro Nairo,

      Obrigado pela tua partilha e pelo teu comentário! Uma honra receber um comentário vindo de Moçambique!

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