Dormir que nem um anjinho (tomar melhores decisões IV)

23 Abr

Embarcámos numa saga um pouco doentia para compreender melhor a nossa forma de tomar decisões. Já explorámos o que nos motiva a tomar decisões e também os critérios que podemos usar para decidir. Mas não vamos ficar por aí. Vamos ainda tentar arranjar formas de tomar melhores decisões, especialmente para evitar ficar com aquela sensação de “será que tomei a decisão certa?”. Ou seja, como podemos tomar decisões e ficar com a consciência tranquila?

(Naturalmente não vamos apontar um dedo acusatório a dizer o que é uma decisão certa ou errada. Esse difícil discernimento depositamos generosamente nas mãos do leitor). Contudo ficam aqui 3 considerações que nos podem ajudar a dormir que nem anjinhos, mesmo depois de decisões duras :

1. A vida não se decide nos detalhes.

Por vezes pomos um grande peso em pequenas decisões, como se  fossem decidir toda a nossa vida. Mando este sms ou não? Respondo já ao email ou daqui a algum tempo?  Meto conversa com aquela pessoa? Estaciono o carro aqui?

Que raio, parece um grande drama. Mas na realidade, nada destas pequenas coisas vão decidir a nossa vida. Por muito que estes pormenores nos encham de  preocupação, de mini dores emocionais e de mini dilemas, nada disso é decisivo. Mais vale mandar uma grandiosa gargalhada a todas essas urgências e preocupações, porque a vida não se decide nos detalhes.

2. A vida decide-se nos detalhes.

(Surprise surprise!) Acontece também que desvalorizamos as pequenas escolhas. É o acumular de centenas de pequenas decisões que define o caminho da nossa vida. Não vale a pena esperar que seja uma decisão única e estrondosa que nos vai salvar. Tem que ser uma quantidade massiva de decisões, sempre alinhadinhas.

Não se gosta de uma pessoa durante 50 anos senão houver milhares de miminhos e cuidados pelo meio. Não se descobre qual o percurso profissional que seguimos sem fazer muitas pequenas decisões sobre onde estamos e para onde queremos ir. Não ficamos em forma quando estamos no sofá e dizemos “quero ter um corpo como aquela actriz”, mas quando nos fazemos à estrada, vez atrás de vez. Não interessa tanto uma grande decisão espalhafatosa, mas antes milhares de gestos pequeninos e discretos, que depois acabam por fazer uma grande diferença.(e um pequeno gesto é sempre menos assustador que o peso duma decisão gigantesca)

3. Falar com pessoas conhecidas e wild cards

O nosso olhar é limitado. Especialmente se tivermos astigmatismo ou miopia. Mas pior que os padecimentos oculares, são os limites interiores do nosso olhar. E para evitar visões tirânicas da realidade e leituras unilaterais, dá muito jeito saber como os outros vêem a mesma realidade.  Ou seja, quando queremos descobrir o que fazer, ajuda muito falar com outras pessoas. Pessoas que podem trazer um olhar novo, que nos podem ensinar, iluminar, questionar.

Mas ainda mais surpreendente do que o que a malta de confiança nos pode recomendar, é o que absolutos estranhos nos podem dizer. Às vezes um desabafo com o sr. da mercearia, pode-nos fazer ouvir as palavras que precisávamos. As surpresas vêm de sítios que não estamos à espera, e abrirmo-nos a pessoas improváveis – os wild cards – pode-nos trazer um olhar fresco e diferente sobre a nossa realidade.

Desta forma, alargando o nosso olhar com o que pessoas conhecidas e desconhecidas têm para nos dizer, tomando pequeninas decisões umas atrás das outras e desvalorizando os pequenos dramas, podemos tomar decisões que nos deixam mais serenos e tranquilos. Tão serenos e tranquilos que podemos dormir… que nem anjinhos?

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