Tomar melhores decisões I

1 Abr

A tradicional introdução a um artigo deste tipo seria explicar brevemente do que vamos falar, e dar umas boas razões para a malta querer continuar a lê-lo. Podia-se explicar que todos fazemos escolhas – pequeninas ou grandiosas –  a cada hora de cada dia, e que tudo isso define muito do rumo das nossas vidas espectaculares. Para terminar essa introdução, poder-se-ia lançar os pontos concretos da reflexão, lembrando que podem contribuir para tomarmos melhores decisões e levar uma vida ainda mais espectacular. Seriam pontos como estes:

1. Escolher é dizer um sim, e muitos nãos.
Para se ser consistente numa decisão que tomámos – quer seja ir correr 3 vezes por semana, acabar a tese de mestrado,  avançar com um projecto original ou começar um namoro – é preciso saber dizer um sim determinado, e muitos nãos. E dizê-los de forma sistematica e deliberada. Escolher é cortar com tudo o que não interessa. Escolher é optar por uma coisa, sabendo que esse sim, tem mil nãos lá dentro.
Se fico a ver filmes no youtube, não estou a fazer desporto, a estudar ou trabalhar. Se fico em casa a ler um livro, digo que não a todos os programas que podiam acontecer fora com amigos. Se eu começo um namoro com uma rapariga, estou a dizer que não a todas as outras raparigas do mundo inteiro.

2. Não escolher já é uma decisão.
Por vezes achamos que podemos adiar decisões indefinidamente, quando na realidade não escolher já é uma escolha (de nada fazer).
É natural haver alturas em que fazemos bem em adiar uma escolha…seja porque não temos dados suficientes para decidir, ou o sono em dia, ou porque temos a mioleira fora do sítio. Não queremos também viver à bruta com o lema “parar é morrer” porque isso dá sempre para o torto… mas acaba por ser comum ignorarmos que tomamos muitas decisões importantes, simplesmente porque não as tomamos.
Se não decido escrever uma carta a responder a um amigo ela não vai magicamente acabar no correio dele, ou se acabo a universidade e não tomo nenhuma escolha acerca do que quero fazer e procurar, acabo por tomar uma decisão clara. Ficar com o rabo no sofá a ver séries.
Às vezes escolhemos muito, por não escolhermos.

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3. Escolher é criar um futuro novo.
A nossa forma de hoje estar no mundo tem a ver com todas as experiências que já tivémos, livros que lemos, pessoas que conhecemos, cocós que fizémos, e filmes que vimos (entre outras coisas mais ou menos agradáveis). Ao pensar numa decisão é inevitável pensarmos no que já vivemos.
Contudo, uma decisãonova – por muito insignificante que seja – abre sempre alguma coisa inédita, que não está amarrada ao passado. Temos sempre a possibilidade de fazer algo que nunca foi feito. Não interessa tanto o passado – o que fiz, o que falhei, o que não me deram, o que correu mal – mas sim o futuro.
Mesmo que nos tenhamos comportado sistematicamente de forma bizarra, hoje podemos começar de novo. Cada decisão é uma possibilidade de criar um futuro novo.

Pode acontecer que no final deste artigo haja quem pense que tudo isto é muito bonito, mas que na prática é complicado discernir o que é melhor, o que devemos ou não fazer, e por onde ir. Sim, tudo isso é verdade. Deixamos sempre a parte mais difícil para o leitor.

(Mas secretamente esperamos que o artigo Tomar melhores decisões II possa dar algumas ideias…)

9 Respostas to “Tomar melhores decisões I”

  1. Miguel Bandeira 16 de Abril de 2013 às 8:02 #

    João, gosto muito do que dizes nos pontos 1 e 3, mas não concordo com o 2. Acho que não escolher não é bem uma decisão. É simplesmente um estado morno em que a pessoa não opta nem pelo sim nem pelo não, cujas consequências acabam por ser as mesmas do que se decidisses pelo sim ou pelo não.

    Recorrendo a um exemplo… Estou em casa e convidam-me para ir tomar um café. Não sou capaz de dizer sim ou não e acabo por ficar em casa. A razão por que fiquei em casa foi o facto de já lá estar quando me convidaram. Se estivesse com essas mesmas pessoas antes do tal convite para o café, provavelmente ter-me-ia deixado levar. Acaba por ser a mesma ideia que deste, mas vista de forma diferente.

    E já agora acrescento uma frase que o meu pai sempre me disse: Uma má decisão é sempre melhor que uma não-decisão!

    • Inesperado.org 23 de Abril de 2013 às 8:55 #

      Ah grande Miguel! Percebo o teu ponto. Levado ao limite significava que sempre que não fizéssemos uma coisa diferente estávamos a decidir nada fazer, e isso pode ser abusivo.
      Mas pegando no teu exemplo, acho que ao ficar em casa, foi porque decidiste, e não por nada fazer. Só fazemos o que queremos!
      Mesmo que seja ficar na caminha :)

  2. Margarida Carmona 4 de Abril de 2013 às 13:39 #

    João,

    Gostei muito deste post.
    Lembrei-me de um filme que vi há pouco tempo e do qual gostei muito, “A Proposta Indecente” (acho que já falámos sobre isto). Este filme tem muito a ver com escolhas, e nas suas consequências. Mas para além disto, tem muito a ver com a ideia de como seria a nossa vida se tivéssemos optado por outro caminho. Na verdade, uma escolha gera uma mudança (ainda que se opte por não escolher, nesse momento já estamos a escolher – ao nada escolher, como disseste). Concretamente neste mesmo filme, perante uma proposta (mais ou menos indecente), temos sempre uma escolha. Ainda que se recuse uma proposta, a realidade pode não voltar a ser a mesma, porque podemos pensar “E se tivesse escolhido da outra maneira?”
    Beijinhos!

    • Inesperado.org 9 de Abril de 2013 às 0:17 #

      yo Margarida! Também já vi esse filme – porque alguém me recomendou vivamente – e dá muito que pensar… nos limites das decisões, nas tentações e por aí a fora!
      É bem!

      • Yolan 17 de Maio de 2013 às 6:16 #

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    mto baril! gosto!

  4. Duarte 2 de Abril de 2013 às 0:45 #

    Obrigado J.
    Palavras sábias e esclarecidas mais uma vez.

    Qd te leio é como se ouvisse a homilia de Domingo.
    Ou então não.

    • Inês Abreu 2 de Abril de 2013 às 11:37 #

      Muito Sartre-iano, gostei!

      • Igor 17 de Maio de 2013 às 5:03 #

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