Honestidade Brutal II

12 Fev

No último artigo vimos que a honestidade marca a relação que temos com as pessoas de quem gostamos. Como pode levar as pessoas à nossa volta a viver uma vida melhor, e como nos pode fazer crescer. Sabemos também como é difícil sermos honestos. Como temos que ter sensibilidade, um sentido de timming e procurar realmente o bem da outra pessoa. Sem peixeiradas e sem pedras na mão.


É também difícil ouvir quando são honestos connosco – mas depois das justificações apressadas –  sabemos reconhecer a verdade quando a ouvimos. E ficamos agradecidos por isso.

Mas se realmente é desafiante viver a honestidade na relação com os  outros, é ainda mais desafiante viver a honestidade connosco mesmos.
Se somos bons a enganar os outros, somos mestres a enganar-nos a nós próprios.
Com os outros ainda conseguimos ver com alguma clareza, agora olhar para dentro de nós… ui.
O que é tramado, é que os outros vão e vêm, mas connosco mesmos, vamos ficar até ao fim.

De viver connosco não nos livramos nem por um segundo. Conseguimos mudar amigos, mudar de casa, mudar de cidade e de carreira. Mas não o fazemos sem deixar por um segundo de estar connosco.
Se não tivermos consciência do que está cá dentro, pouco percebemos do que está fora de nós.
Se não temos consciência do que pensamos, do que queremos, do que nos entristece e do que nos apaixona, andamos às cegas. 
Isto é mesmo decisivo: se não tivermos uma honestidade brutal connosco, arriscamos a não fazer nada da nossa vida.  E já que vamos ficar connosco até ao fim, mais vale ser uma boa viagem.

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Deixemo-nos por isso de peneiras, e sejamos honestos! Sabemos mesmo que pensamentos, necessidades e desejos andam dentro de nós?
Quais é que andam mais vezes por aqui, e quais é que estoiram uma vez por ano? Temos nomes para lhes dar? Ou empurramos bem lá para baixo, a morder o maxilar e a pensar catatónicamente: Eu não devia sentir isto. Eu não pensei isto. Isto não existe.

Pois bem, existe sim. E não vai desaparecer por fingir que não está lá. Vamos começar a ser terrivelmente francos connosco agora mesmo,  e responder a algumas perguntas, com sinceridade e calma. (Algumas vão bem fundo, e merecem uma resposta genuína).
• De 1 a 10 quão honesto tenho sido comigo?
• Que parte de mim sei que escondo mesmo de mim próprio?
• Se tivesse que dizer uma coisa que me envergonha o que seria?
Estas perguntas são desconfortáveis. Mas é apenas encarando a brutal realidade da nossa vida, que começamos  a crescer.
O mundo não acaba se percebermos que temos tristeza dentro de nós, ou vergonha, ou egoísmo, ou inveja. O mundo interior é que não começa sequer se não soubermos o que anda cá por dentro.
A ironia, é que são precisamente as coisas que nos incomodam,  que procuramos esconder mesmo de nós próprios, que nos podem incendiar uma vida nova.

O que nos deixa desconfortáveis pode ser uma pista espectacular para o que tanto procuramos. O que nos parte o coração, o que nos deixa lixados, com vontade de arrancar cabelos e gritar com alguém, são coisas que mexem muito connosco. Não nos podemos dar ao luxo de fingir que não são importantes. Essas coisas dizem muitíssimo acerca de nós.  Do que valorizamos, do que desejamos e do que esperamos da vida. Temos de nos render ao que está dentro de nós. Através disso podemos agarrar uma vida vibrante e extraordinária.
A sério, ser brutalmente honesto não tem preço. Não vale a pena fingir ser uma coisa que não somos. Não enganamos ninguém, nem a nós mesmos. Vamos por isso treinar mais esta honestidade estas perguntas:

• Que coisa em mim me incomoda particularmente? O que é que isso pode querer dizer de bom acerca de mim?
• O que posso começar a fazer hoje – em menos de 10 segundos – para me tornar mais brutalmente honesto comigo?

3 Respostas to “Honestidade Brutal II”

  1. João Delicado 18 de Fevereiro de 2013 às 20:38 #

    Tão honesto, tão brutal, tão bom, este texto.
    Obrigado.

  2. Rosário 13 de Fevereiro de 2013 às 1:02 #

    inesperadamente dei com este blog….e honestamente…muito honestamente gosto! Gosto da forma com interpe-la…gosto! obrigada!

Trackbacks/Pingbacks

  1. Desistir ou Resistir ? (parte II) | Inesperado - 28 de Maio de 2013

    […] investir tempo no sítio certo.  (E nada de desculpas esfarrapadas para saltar fora, temos que ser brutalmente honestos connosco. ) Conselho paternal: Se o que assumiste deixou de fazer sentido de forma continuada, pensa nisso […]

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