O que é melhor para nós

15 Maio

Será que sabemos o que é melhor para nós? Valerá a pena termos objectivos na nossa vida, ou simplesmente estar abertos ao que a vida vai trazendo?
Caramba, é que chateamo-nos tanto com o que a vida nos dá. Porque recebi uma nega de emprego ou uma tampa , ou um tupperware? risos… Mas damos por nós a pensar:
Não tive as oportunidades que queria…
Não tenho o emprego que mereço…
Não tenho uma família tão grande como queria…
Não tenho amigos bons…
Não tenho dinheiro para fazer o que quero…
Não tenho o cabelo daquela cor…
Não sou tão alto como queria…

Tantas vezes queremos coisas. E bem à nossa maneira.

O que tenho reparado é que talvez não saibamos assim tão bem o que é melhor para nós. A sério. Não sei se é suposto estarmos cheios de certezas acerca do que é bom para a nossa vida, relações, família, carreira…
Será que sabemos o que é melhor para nós?

E partindo daqui, há 2 pontos que podemos considerar:
1. É bom ter objectivos e sonhos. “Um barco sem rumo não tem ventos favoráveis”. Sem dúvida. É importante isto: “Quero ser bom no meu trabalho; Quero casar; Quero ter filhos; Quero viajar à volta do mundo; Quero ser excelente aluno; Quero conhecer pessoas novas; Quero ter uma carreira internacional; Quero ter autonomia financeira…” É bom lutar pelos nossos objectivos. Pelo que queremos.

2. É bom não ter planos. Estar aberto ao que a vida traz. Não forçarmos nada. É bom aceitar simplesmente o que é, sem grande esforço para ser de outra maneira. De receber as coisas que nos chegam com naturalidade. É bom não termos objectivos. Não termos o que queremos.

E claro que o 1 e 2 parecem opostos, mas algures no meio, toca-se um equilibrio onde a vida alcança uma medida maior. Entre o que fazemos e o que deixamos acontecer. Entre o que conseguimos e o que nos falta. É realmente um ponto de humildade e de descoberta do bom que a vida pode ser, mesmo sendo absoultamente diferente do que tinhamos imaginado e idealizado. É terreno de vida à séria. Onde a deixamos nascer onde não esperávamos.
( atenção que estas frases são lindas, tirei-as de um site brasileiro. Ou será um brasileiro que vive na minha cabeça?).

Vale a pena discutir com a vida quando não nos traz o que queremos?
Acho que sim. Mas rápido rápido, sem perder demasiado tempo, e dizer-lhe assim:
“Minha amiga, sabes muito bem que eu queria outra coisa que não isto. Que raça de coisa, andamos a brincar é? Então investi o meu tempo, amor, trabalho numa coisa que não deu em nada?” E pronto. Se ficarmos meses a discutir com ela porque não nos deu o que queremos… simplesmente não avançamos. E a vida não se compadece com os nossos ritmos. Segue sempre.
Não vale a pena discutir com a vida. Ela vai-se encarregar de trazer o que precisamos.

Já estou a ouvir aí: “ah que giro, essa confiança infantil, mas esta brincadeira dói. E se não traz? E se ela não traz o que quero? E se acabo sozinho? E se acabo sem emprego e sem dinheiro?”
Boas perguntas. Mesmo boas e legítimas. Mas sabemos o que é realmente bom para nós? Sabemos? Podemos ter umas pistas e certezas. Desejos e vontades, mas tantas vezes estamos enganados. Tantas vezes queremos muito uma coisa, mas precisamos é de outra. Tantas vezes nos tornamos tiranos por ter tudo o que queremos. Tantas vezes demoramos anos a discutir com a vida e não aceitamos o que nos está a mostrar. E finalmente, tantas vezes nos tornamos mais humanos, ao aceitar que a vida não trouxe o que eu queria, mas o que eu precisava.

Nós somos criaturas sérias, com corações a sério. Mas ainda a aprender. A aprender o que é melhor para nós. Não vamos discutir demasiado com a vida. Ela vai-se encarregar de trazer o que precisamos.

Entretanto, avancemos.

12 Respostas to “O que é melhor para nós”

  1. Anónimo 1 de Fevereiro de 2014 às 21:31 #

    Fiquei apaixonada pelo teu blog..vou segui-lo a partir de hoje com olhos muito atentos..transpareces tudo o q me vai na alma..obrigada…por me ajudares a ser uma pessoa melhor..

  2. aforcadeacreditar 16 de Maio de 2012 às 9:16 #

    Muito bom, amigo.

  3. Vera Ferreira 16 de Maio de 2012 às 8:15 #

    Namaste João :)

    O teu texto tocou-me de forma muito particular e fez-me lembrar uma frase usada nos alcoólicos anónimos que tento trazer para a minha vida: ” Deus, dá-me serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para mudar o que está ao meu alcance e sabedoria para que eu saiba a diferença entre ambas”. Acredito que entre estas palavras segue o caminho da Vida. Boas viagens **

    • Inesperado.org 22 de Maio de 2012 às 12:37 #

      Obrigado Vera.
      Que venha a serenidade, a sabedoria e a coragem!

      Até uma próxima

  4. Mariana 16 de Maio de 2012 às 0:26 #

    João, não sei se te deixei a pensar- se sim (e acho que sim), fico feliz! Fico mesmo.
    Uma vez fiquei mesmo desiludida com uma pessoa minha amiga porque me disse com muita certeza “eu sei o que é melhor para mim”. (sou uma amiga exigente, acho). De qualquer forma ainda bem que não sou só eu que entendo o significado disto! De certeza forma toda a gente que já sofreu de alguma maneira consegue apanhar esta ideia.

    As pessoas sem todas as certezas têm mais piada. Há aquele vídeo do “wear sunscreen” em que a certa altura se diz alguma coisa como “the most interesting people I know, didn’t know at 22 what they wanted to do with their lives”. Há uma remota possibilidade de não conheceres o vídeo… Se não o conheces, não o deixes escapar!

    • Inesperado.org 22 de Maio de 2012 às 12:36 #

      Mariana, obrigado pelo comment! Sim, foi bom o push sobre o que é melhor para nós! O que para mim não é nada evidente se o sabemos…
      Quanto ao wear sunscream, é um classico :) e ele diz que as pessoas mais interessantes que conhece aos 50 ainda nao sabem… Mas acho que ai o ponto é a abertura que se continua a ter à vida, e não nos levarmos demasiado a serio! E concordo contigo, as pessoas que já sabem tudo e têm muitas certezas são um bocado seca…

  5. Virgínia Cardoso 15 de Maio de 2012 às 12:52 #

    Boa João!!!!!! É bem verdade que o queremos pode não ser o que precisamos e acho que é difícil saber o que é melhor para a nossa vida….mas entre os sonhos e objectivos e o não ter planos sinto-me muitas vezes algo perdida acabando por ficar num meio termo, ou seja, sem planos, mas sem saber se estou a aberta ao que a vida me reserva….confuso né heheheheehe

    O bom mesmo é não discutir “demasiado” com a vida como dizes!!!!

    • Inesperado.org 22 de Maio de 2012 às 12:34 #

      Muito confuso realmente! E o equilibrio entre ter objectivos e estar aberto à vida, não é linear. Acho que varia consoante as alturas da vida em que estamos, e se estamos em baixo ou em altas… só cada um encontra o seu spot :)

  6. jozinheri 15 de Maio de 2012 às 12:33 #

    Gosto muito João e penso exactamente o mesmo. Durante muito tempo discuti com a vida porque não me dava o namorado que eu sonhava que existia, porque não me dava a oportunidade de casar, porque não me dava o sonho de ter filhos, marido e poder ficar em casa a tomar conta da família… E depois percebi que não tinha nada que discutir com a vida…
    A vida ensina-nos todos os dias e muitas vezes nós pensamos que não é ela que tem de decidir como é que são as coisas, que rumo tomam, e porque acontecem certos desastres ou boas surpresas. Achamos que temos de ser nós a decidir que vida queremos mas por outro lado ficamos sentados à espera que caia das árvores.
    Com conta, peso e medida acho que o que nos acontece é fruto do que fizemos para que acontecesse. Há coincidências? Se calhar há, mas eu gosto de pensar nos “ses” e pensar nas hipóteses todas que poderiam acontecer se não tivesse feito aquilo, se não tivesse ido naquele dia àquele sítio, etc.
    Como dizia já não sei quem, os “ses” são o Demo! Mas quando dã para exercitar a cabeça até gosto deles!
    Bem, que comentário mais estranho… E comprido!

    • Inesperado.org 22 de Maio de 2012 às 12:33 #

      Jo, obrigado por mais uma partilha! ahah, comentário estranho, comprido, e bom. Ai os ses… dão cabo disto. Percebo o que diz de ser estimulante imaginar várias opções :) Ao mesmo tempo é mau quando isso nos angustia no presente, quando condiciona o que nos é dado agora!

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