Os 4 elementos de um feedback jeitoso

5 Nov

Por vezes parece que não conseguimos comunicar sem ser a discutir. Queremos que a outra pessoa perceba o que estamos a passar… mas acabamos a gritar ou a fazer silêncios amuados. Naturalmente, a outra pessoa não percebe nada do que queremos dizer, mas como se sente atacada, responde à altura com mais berraria e acusações.

Somos especialmente talentosos a fazer isto nas relações que importam, com colegas, família e amigos. Mas deste ciclo vicioso saímos apenas com irritação, remorsos e talvez alguma loiça partida.

Seria interessante comunicar de outra forma, sem manipular ou atribuir culpas. A isto chama-se feedback e trata-se de transmitir o impacto que causa em nós as acções da outra pessoa. Contudo, há 4 elementos a ter em conta para um feebdack jeitoso:

 1. Ser descritivo e não valorativo.
Fazer juízos de valor sobre o comportamento de alguém faz apenas com que a outra pessoa reaja de forma defensiva. É mais eficaz descrever a  impressão que em mim produziu a acção do outro. Isso é a única coisa que realmente podemos afirmar – e que ainda para mais é inegável – porque não estamos a argumentar, estamos a transmitir uma impressão ou um sentimento. Passar de: és um palhaço por ter feito aquilo, para: senti-me magoada quando fizeste aquilo. (ninguém pode dizer: não, não ficaste magoada…)

2. Concreto e não genérico.
Ao contrário de descrições genéricas, o feedback específico ajuda o outro a compreender o que pode melhorar . Em vez de: és um manipulador e sempre o foste, tentar algo como: naquele almoço, pareceu-me que não ouviste o que os outros diziam, senti as pessoas forçadas a seguir a tua opinião. Dar um feedback concreto ajuda também a dimensionar os problemas,  evitando os tradicionais exageros: fazes sempre isto! és sempre assim!

Inesperado - 4 elementos do feedback jeitoso

3. Pela positiva.
Se dermos um feedback pela positiva – focado no que pode ser melhorado – a mensagem passa melhor. Ajuda ser menos cerebral e falar mais do coração. Em vez de: o que fizeste é um disparate pegado… para: parece-me que podias melhorar aqui e ali… No curto prazo a crítica destrutiva pode funcionar, mas no longo prazo uma crítica construtiva funciona melhor.

4. Com bom timing.
Convém ter em conta o ambiente e o momento em que se dá o feedback. É preferível chamar à parte uma pessoa, do que falar em frente a todos. Conversar sobre uma mania irritante de um namorado, num jantar com os pais dele, talvez não seja a melhor ideia… Apesar disso, o feedback por vezes é mais eficiente se for dado próximo do momento e não passado uma eternidade: Lembras-te há 4 anos quando estávamos a jantar em casa dos meus pais?… Não, não me lembro. Ciao.

Quem recebe um feedback convém não ser acrítico – levando tudo a sério – nem estar à defesa – não ouvindo nada. Quem está à defesa presta mais atenção às consequências que a mensagem pode ter para si do que ao conteúdo da mensagem em si. Está mais preocupado em preparar a própria defesa do que em ouvir objectivamente. Por isso, ajuda sempre verificar se o feedback foi recebido no final: Faz-te sentido o que te disse? Percebes este ponto de vista? e ir ajustando a mensagem.

Nunca vamos estar preparados para dar um feedback ideal, na altura perfeita, por isso mais vale ir começando. Aprende-se a dar bom feedback dando e recebendo muitas vezes. É sem dúvida um investimento grande, mas que tem um retorno igualmente grande: relações com mais proximidade, confiança e verdade.

Para quem acha que é uma mariquice comunicar de forma genuína e transparente, pode sempre voltar à gritaria, chapadas e amuos. Resta ver qual tem melhor resultado.

4 Respostas to “Os 4 elementos de um feedback jeitoso”

  1. Zé Maria 20 de Novembro de 2013 às 17:38 #

    Dos melhores! Gostei muito!

    Abraço
    Zé Maria

  2. João Delicado 7 de Novembro de 2013 às 0:24 #

    És um bocado palhaço, dás sempre exemplos que são uma bela bosta e já perdi a esperança de que venhas a melhorar. E mesmo assim continuo a gostar muito do que escreves! Hehe. Belo feed-back, ein?

  3. André Moreira 6 de Novembro de 2013 às 21:13 #

    “Ajuda ser menos cerebral e falar mais do coração.”
    Não seria ao contrário?

    • Inesperado.org 7 de Novembro de 2013 às 11:19 #

      Bem visto André.
      Neste caso o “cerebral” é mais o automatico com que nos saem alarvidades da boca, e o “do coração”, é falar mais serenamente e sem ataques.

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