Como mudar melhor.

5 Mar

Muda o clima, mudam as árvores. Mudam as ruas, mudam as cidades. Mudam os corpos, mudam as vidas. É simplesmente difícil evitar que as coisas mudem, dentro e fora de nós.

Mas como mudamos então? Quando muda alguma coisa grande na nossa vida – morre alguém de quem gostamos, ficamos sem trabalho, atrasamos a universidade mais um ano – como integramos esta informação?

Normalmente vamos a correr para uma de 3 portas:
1. Adaptação imediata à mudança.
Por vezes gostamos de montar um teatrinho e representar uma adaptação indolor e rápida. Tentamos iludir  as pessoas com quem falamos, usando frases como: Já estou óptimo, é dificil mas eu aceito isto. Sim, é uma chatice, mas  já passou.
Bullshit! Gostamos é de mostrar que aceitamos tudo muito rápido, gostamos de fazer de heróis.
Naturalmente não queremos arrancar umas lágrimas à força – para isso ficamos pelas cebolas – mas as coisas grandes de que falamos, levam tempo a entrar em nós. E esta ilusão de adaptação imediata, é apenas superficial. Soluções imediatas não existem.

2. Negação da evidência.
Outras vezes, entramos numa espécie de estado alienado como se nada se passasse. Fingimos que está tudo na mesma – que não tenho saudades, que não dói o coração por ter perdido aquilo, que não me sinto inútil por não ter um trabalho – mas nada está na mesma. E isso não é um problema. O problema é fingir que nada se passa.

Somos como aqueles primos mais novos que fingem que não se magoam quando lhes apertamos a mão com força.
Gostamos de fingir que não estamos a sentir nada. Convencemo-nos que alguma mudança não nos afecta.
Mas há uma dor implicada ao passar de uma situação conhecida para uma desconhecida, ao perder um sentido de pertença, segurança e felicidade.

3. Baixar os braços.
Como as coisas não correm como planeámos, e só nos calham mudanças que não queríamos, amuamos. Baixamos os braços.
E fazemos isso de várias formas: Começamos a evitar programas, temos medo que nos façam  perguntas, e tornamo-nos ressentidos.
Eu sei como é que as coisas realmente são. Nada vale muito a pena.

inesperado.org_Mudar melhor

Facilmente percebemos que estas formas de lidar com a mudança não nos servem e que a mudança em si é inevitável. Como dizia um autor americano, temos que mudar a forma como mudamos. 
Mas como podemos mudar a nossa forma de mudar?

1. Ser honestos com a nossa história
Para começar: se formos honestos conseguimos dizer várias mudanças na nossa vida que achávamos más, mas que se tornaram espectaculares.
Ter saído daquele trabalho foi a melhor coisa que fiz. Ter trocado de curso foi o melhor que me podia ter acontecido. Acabar aquele namoro fez-me muito bem.

Vamos deixar-nos de queixinhas quando as coisas não correm como planeámos. Vamos antes fazer com que esta alteração, este evento, esta ruptura, ajude a definir uma nova vida. Vamos ser honestos connosco e com o que já aprendemos no passado.

2. Aprender com os melhores
Podemos aprender com aquelas pessoas extraordinárias, que se conseguem adequar a situações extremas – um diagnóstico de uma doença, uma tragédia, uma mudança repentina.
Quem conhecemos que tenha sido um exemplo a lidar com alguma mudança inesperada?
O que podemos aprender com essa pessoa? O que somos capazes de transpor para a nossa vida?

3. Percorrer a dor de A a Z
Daqui a 2 anos, estamos numa situação normal e… shazam! Estoira alguma coisa bem fundo de nós, e tornamo-nos violentos, erráticos, tristes. E ainda para mais estamos confusos, por não sabermos de onde vem tudo isto.

Precisamos de harmonizar com serenidade todas as alterações que acontecem e mexem com a nossa vida. Se queremos aprender a mudar na nossa vida – e não começar à chapada com toda a gente  – temos que integrar tudo muito bem. A dor tem que ser vivida de A a Z. Não podemos saltar nenhuma letrinha, senão salta-nos a tampa e o abecedário todo.

Precisamos de saber fazer luto. De chorar o nosso sentido de perda – de alguém, de alguma relação, de um trabalho – e sentir essa dor. Sem espernear nem fugir apressadamente. Não oferecer resistência à dor. Calmamente, dia após dia, deixar sentir a dor, e continuar. Temos aprender a conviver serenamente com a dor, a vivê-la de A a Z.

E quando fazemos isto, abrimos uma possibilidade que antes nos parecia estranha…
As coisas que não planeámos acabam por ser oportunidades gloriosas para nos transformamos no que nunca ousámos ser.

6 Respostas to “Como mudar melhor.”

  1. constança 23 de Julho de 2013 às 14:17 #

    Primo UR AWSOME!!!!!!!!

  2. CrisSi (@CrisSi2) 5 de Março de 2013 às 16:04 #

    Adorei! Fantástico! É assim que nos apercebemos de pequenas (grandes) mudanças que podemos deixar acontecer na nossa vida. A última frase diz tudo :)

  3. Zé Maria 5 de Março de 2013 às 13:25 #

    mesmo a calhar! grande post :)

  4. ines abreu 5 de Março de 2013 às 12:23 #

    Espectacular João! Completamente na mouche.

    Gostei especialmente da frase do “autor americano”.

    • Inesperado.org 5 de Março de 2013 às 16:08 #

      Thanks. O autor é o Gary Hamel, guru dos negócios :)

      • ines abreu 5 de Março de 2013 às 17:17 #

        ah achei que era tua.

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