As vacas não dão sumo

21 Jan

inesperado.org- vacas e laranjasAs vacas dão leite, as laranjas dão sumo de laranja. Estas 2 ideias parecem simples, mas não são. Aliás, um dos nossos grandes dramas é baralhar as duas.

O drama vai passando despercebido, até ao momento em que desejamos um sumo de laranja.
E o que seria razoável fazer quando queremos suminho? O razoável seria ir às laranjas. Mas não! O que fazemos é ir ter com a vaca e dizer: Passa para cá o suminho! Ao que ela responde: Muuuuh.
Não queremos dar parte fraca, mas ficamos cada vez mais irritados. É um desplante o raio da vaca não nos dar o suminho que queremos! E ela diz: Muuuh. Enquanto não tivermos o que queremos, não saímos dali, nem que a vaca tussa. E realmente a vaca não tosse, e responde apenas: Muuuuh. Continuar a ler

O monstro e a pessoa ideal

14 Jan

inesperado.org - a pessoa idealPor mais fantástica que seja a tua roupa, ela está mais bem vestida.
Por muito competente que sejas, ela faz um trabalho melhor.
Por muito divertidas que sejam as tuas histórias, ela faz sempre rir mais.
Por muito bem que cozinhes, ela cozinha pratos ainda melhores.
Por muito bem que penses, fales ou vivas… ela é sempre melhor.

Mas afinal quem é esta pessoa?
É simplesmente a construção que fizemos na nossa cabeça da pessoa ideal. É a imagem que inventámos algures pelo caminho, da pessoa que queremos para partilhar a nossa vida. Tipicamente é uma pessoa desenhada para uma relação próxima, mas há quem se especialize em fabricar dezenas de pessoas ideais, para aplicar a amigos, colegas e até estranhos. Depois de estar fabricada, esperamos genuinamente que as pessoas de carne e osso correspondam a ela. Continuar a ler

10 razões para levar a sério a alegria

7 Jan

Inesperado.org - Levar a sério a alegriaÉ normal não levar a sério a alegria.
Costumamos pensar nela como risinhos e gargalhadas, ou como ter sorte e acontecer o que queremos, ou então como o estágio antes da bebedeira: “olha para ele, já está alegre!“. Outras vezes pensamos na alegria como uma infantilidade para a qual a nossa vida responsável e adulta não tem tempo. É uma distracção e uma fantasia. É um disparate para os sonhadores e idiotas.

Mas não, a alegria é bem mais que isto. A alegria é muito mais que uma fantasia, que uma distracção ou que uma bebedeira. A alegria é coisa para mudar a nossa vida e das pessoas à nossa volta. É coisa para transformar o nosso trabalho, as nossas amizades, o nosso mundo.
Porque ela é uma coisa demasiado importante… aqui ficam 10 razões para ser levada a sério: Continuar a ler

A alergia ao compromisso

31 Dez

alergia ao compromisso
Apesar de não ser agradável ter alergias…acabamos sempre por apanhá-las. Uma das mais notáveis que temos desenvolvido é a alergia a compromissos. Quer seja com uma pessoa, um trabalho ou um projecto, ficamos com comichão só de pensar nisso. Achamos que estamos bem melhor se não assumirmos nenhum compromisso.

Para não perder nada e manter todas as hipóteses em aberto temos sempre um pé na porta, não vão as coisas correr mal… Ironicamente, ao viver assim, estamos realmente comprometidos… em não nos comprometermos com nada.

Parte desta relutância em nos comprometermos vem da ideia que o compromisso é uma prisão. Achamos que é uma coisa que nos vai tirar liberdade e nos vai amarrar a coisas que não sabemos se queremos.

Será possível assumir algum compromisso? Não perdemos a liberdade? Não ficamos amarrados a coisas que não temos a certeza? Continuar a ler

As vantagens e o veneno de perdoar

24 Dez

perdoarTodos temos razões para estar lixados com alguém.
Quer tenha sido alguma crítica, discussão, mentira ou traição, o mais provável é que todos tenhamos um portfolio de pessoas que nos magoaram e nos causaram dor. Ficamos ressentidos e sinceramente não nos apetece particularmente perdoar quem nos fez sofrer. Mas o que será que torna tão difícil perdoar quem nos magoou?

Muitas vezes achamos que ao perdoar estamos a deixar passar em branco uma injustiça. Estamos a deixar a outra pessoa sair incólume, mesmo quando nos causou tanto sofrimento. Contudo… que justiça é manter-nos agarrados à dor? Que espécie de castigo queremos infligir ao outro com a nossa intransigência?

Outras vezes, achamos que é preciso acontecer alguma coisa extraordinária para perdoar outra pessoa. É preciso alguma inspiração ou intuição caridosa para avançar. Mas mais vale puxar uma cadeirinha para nos sentarmos, porque tais impulsos altruístas demoram a chegar. Continuar a ler

Tu não és especial

17 Dez

Apesar dos miminhos que recebeste dos teus pais, apesar de teres amigos que se riem das tuas piadas e apesar de já teres passado por muita coisa… não caias em ilusões: tu não és especial.
Não és especial porque andaste naquela universidade ou tens aquele trabalho. Não és especial porque tens boa aparência ou porque há alguém que gosta de ti.

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Como a vida melhora quando começares a matar

10 Dez

O nosso dia está cheio de distracções e actividades. Os nossos olhinhos dançam entre anúncios, neons e ecrãs, e a nossa vida vive meio refém de uma agenda sobrelotada com programas imprescindíveis. Procuramos dar resposta a uma chuva de possibilidades e corremos freneticamente para cumprir compromissos.

Queremos dar vazão a uma montanha de actividades, e pelo caminho garantir que todos ficam a gostar de nós. Acontece que isto é particularmente idiota: ao querer estar em todas as actividades percebemos que não estamos inteiros em nenhuma.
Estamos no jantar da prima a pensar na estreia do filme que vamos ver, no filme estamos a pensar na despedida de solteiro, e na despedida de solteiro a pensar… bem, na despedida não pensamos em grande coisa.

Ao querer ser tudo para toda a gente, acabamos por ser nada para ninguém.

A realidade é que não conseguimos corresponder a todos os pedidos e solicitações. O tempo não estica, tal como um cobertor não estica. Se puxarmos muito de um lado, ficamos com os pezinhos de fora, deixando sempre algum lado com mais frio. O que interessa é perceber qual o lado que importa manter quente.

matador

Sendo assim, qual o nosso papel no meio de tantas ocupações e distracções?
O nosso papel é sermos matadores. Sim, o nosso papel é matar.
Matar tudo o que está a mais, sem qualquer piedade. Matar todas as actividades que não são essenciais, matar tudo o que ocupa tempo e espaço que não podemos ceder. Caso não o façamos, todas essas actividades e distracções vão invadir as poucas coisas essenciais da nossa vida que não podemos prescindir. Apenas matando o que está a mais é que conseguimos deixar viver as coisas que realmente importam.

Temos que ser irrepreensíveis na matança porque as distracções, os convites e as ninharias, nunca vão parar de chegar. E se não nos está a custar matar várias actividades interessantes, então é porque estamos a deixar ficar viva demasiada treta.

Para cada sim que damos, temos que dar 10 nãos. É difícil dizer um não, mas é a única forma de conseguir dizer um sim convincente. Não às horas perdidas a fazer coisas que não interessam a ninguém, não à energia gasta a tentar impressionar os outros, não ao tempo investido em coisas desnecessárias. Sim às ideias que valem a pena, às relações que interessam, ao trabalho que importa.

Teremos sempre a liberdade de escolher o que fazer com o nosso tempo, mas se queremos aproveitá-lo bem e investir no essencial, vamos ter que tomar uma decisão: ou matamos ou não matamos.
Podem tentar manter as aparências… mas por aqui preferimos a matança.

3 formas de rebentar com a procrastinação

3 Dez

O que é que julgas que estás a fazer? A ler um post a estas horas? Não devias estar a trabalhar? Não devias estar a fazer outra coisa? Pois bem, hoje não te preocupes, podes ficar aqui. Podes ficar porque vamos falar precisamente sobre isto: sobre a procrastinação.

Procrastinar é adiar as coisas que realmente precisamos de fazer. Sim, um talento nato que todos partilhamos: adiar projectos, trabalhos, conversas… Se nos pagassem para adiar coisas, estaríamos milionários.

Mas porque raio temos esta tendência para procrastinar?
O nosso cérebro é maroto: prefere pequenos prazeres agora, do que uma recompensa depois. E como prefere sentir-se bem agora do que depois, troca os pequenos prazeres presentes de estar distraído – online e offline – pelo gozo futuro de ter terminado um trabalho desafiante. É mais divertido estar agora na internet – a navegar ao ritmo de clicks, imagens e estímulos – do que preparar um trabalho difícil que temos pela frente. O único inconveniente é que fazendo apenas o que apetece agora, nada fica feito.

Inesperado.org - procrastinacao

Mas como podemos então avançar com o que temos a fazer,
e rebentar com a procrastinação?

1.Comer o porco às fatias.
Muitas vezes as tarefas que temos pela frente parecem-nos grandes e feias. Mas se as partirmos em pedaços mais pequenos, tornam-se mais fáceis. É difícil comer um porco inteiro, mas se o partirmos às fatias… é uma maravilha.
Para facilitar a digestão, ajuda ir dando pequenas recompensas por cada fatia que comemos. Isto é, para não adiar demasiado tempo o prazer de estar a fazer o que devíamos, vamos-nos premiando por pequenos avanços. Por exemplo: trabalhar 40 minutos afincadamente, e depois parar 10 minutos para descansar e fazer uma coisa que nos dê gosto: ouvir uma música, ler um artigo, ver um vídeo,etc.
Estes tempos podem-se depois alargar à medida que o leitor se habitua a digerir porcos de maior envergadura.

2. Estabelecer prazos.
A parte mais difícil de começar um projecto é começá-lo. E a melhor forma de o fazer… é começando. Mas para avançar ajuda ter uma pressão saudável, um prazo que nos estimule. Se não temos prazos definidos, o mais natural é irmos ao sabor do que nos apetece fazer. E normalmente trabalhar no duro não é apetecível.
Caso não haja pressão externa para avançar – o que costuma ser mais eficaz – temos nós próprios que estabelecer prazos exigentes. É fácil queixarmos-nos das pessoas a quem prestamos contas, mas na realidade nós somos terríveis chefes de nós mesmos. Temos por isso que pensar em formas inteligentes que nos forcem a avançar, fazendo por exemplo aquele telefonema que sabemos que vai por a coisa a rolar. Ou mandar o email que nos vai obrigar a fazer o follow up. Ou contar a um amigo o que definimos e dar-lhe a autorização para nos pressionar…

3. Remover todas distracções.
Na altura em que vamos por as mãos à obra, subitamente parece-nos fundamental consultar o email, arrumar a secretária, ouvir uma música ou falar para o lado. Todas essas ideias nos parecem bestiais. Mas não são.
O que temos que fazer para nos isolarmos do que nos distrai? Desligar o telemóvel, a internet, o computador? Comprar uns headphones?
Temos que tomar uma decisão consciente para remover todas as distracções a priori, sem cair na ilusão da nossa extraordinária disciplina para ir rejeitando uma a uma estas pequenas distracções. Na altura, todas elas vão parecer imperiosas e bestiais, quando só nos afastam sorrateiramente do que temos a fazer.

Basta de desculpas, distracções e projectos furados. É hora de rebentar com a procrastinação. É hora de ir trabalhar.

Para que serve a tua vida?

26 Nov

O escritor Mark Twain dizia que os 2 dias mais importantes da nossa vida são o dia em que nascemos, e o dia em que descobrimos para que é que nascemos.

Descobrir o sentido da nossa vida é fabulosamente importante, mas se nos perguntamos demasiadas vezes qual é o sentido…então nunca vamos encontrar uma resposta.

Se perdemos demasiado tempo a tentar perceber qual o sentido de tudo, qual a nossa razão de ser, estamos precisamente a fugir das respostas que tanto procuramos. Estamos a consumir-nos em questões existenciais intermináveis, em vez de darmos o nosso melhor com o que temos pela frente… porque é precisamente que as respostas vêm.

Não nos descobrimos a teorizar sobre o sentido da vida ou à espera que a inspiração nos toque. Não nos descobrimos isolados do mundo ou sem correr riscos. Descobrimos para que servimos quando estamos embrenhados a viver a vida.

Na realidade, descobrimos para que servimos quando trabalhamos consistentemente no mundo real. Com problemas que nos fazem tremer as pernas, com medos que nos assustam, com erros que nos fazem corar. Revelamo-nos na tensão entre o ponto onde estamos e aquele para onde estamos a ir. Não apenas quando chegamos lá (se é que chegamos). Talvez seja essa tensão entre o que somos e o que seremos, que nos realiza, nos supera e nos revela.

para que serve a tua vida

Há um filósofo francês que diz que se não sujarmos as mãos, acabamos por perdê-las. Nós queremos tanto poupar as nossas mãozinhas para a altura ideal, para o trabalho perfeito, para família certa, para quando tivermos todas as respostas, que acabamos por não as usar. Esquecemos que as respostas para o coração chegam pelas mãos.

Descobrir para que somos feitos é uma aventura do tamanho da nossa vida. Essa aventura não se vive na bancada, à distância, a fazer teorias ou a mandar bocas. Vive-se saltando para o campo.
É hora de arregaçar as mangas e descobrir para que servimos.

Ninguém te dá o que queres

19 Nov

Vinda não se sabe bem de onde, aparece-nos na cabeça uma coisa que queremos.
Todos os nossos neurónios ficam maravilhados e olham muito para essa coisa. E não interessa especialmente para o que eles estão a olhar: pode ser dinheiro, amigos, tempo, whatever. Queremos essa coisa.

Mas apesar de todo esse encantamento, demasiadas vezes ficamos de mãos a abanar, porque ninguém nos dá o que queremos. Isto pode dar-se por 3 razões diferentes:

1. Ninguém sabe o que é.
Brilhante hein? A maior parte das vezes as outras pessoas não sabem o que queremos. E isso pode ser por sermos nabos a comunicar, ou porque também nós não sabemos o que queremos. Se for porque somos nabos, a solução é simples: treinar a comunicação com outras pessoas. Maria, queria o trabalho feito assim. Pedro, queria mais companhia. João, hmmm…queria dinheiro sff. É fazer como as crianças fazem quando querem um brinquedo: pedem-no.

No caso de não sabermos o que queremos, o problema é mais maroto. Porque se não sabemos o que queremos, ninguém nos pode dar. Nem nós próprios. É o que se diz: um barco sem rumo não tem ventos favoráveis.
De qualquer forma, não é demasiado dramatico não se saber o que se quer. Há muita gente interessante e com vidas cheias que não sabiam o que queriam. Para quem gosta de saber o que quer, basta cavar um bocado e descobrir no fundo da sua mioleira o que tanto quer.

ninguem te da o que queres

2. Ninguem te pode dar.
Por vezes, apesar de sabermos o que queremos, ninguém no-lo pode dar. Pomos demasiada responsabilidade nos ombros dos outros e os nossos ficam levezinhos. Porque raio é que a outra pessoa tem que me dar o que quero? Por vezes, mesmo que gostem muito de nós o que pedimos dos outros é simplesmente impossível.
Ninguém consegue resolver a nossa vida, é um peso injusto para alguém carregar. Ninguém pode tomar decisões por nós, ou trabalhar por nós, ou melhorar as nossas relações por nós. Às vezes temos que ser nós a dar o que queremos. Mais ninguém.

3. Ainda não chegou o tempo.
Outras vezes, mesmo não apetecendo nada, temos simplesmente que esperar. Há coisas que levam tempo. É chato, mas são precisas muitas horas de amadurecimento, muita paciência, muita humildade, para termos o que queremos. Nós não ditamos os tempos de tudo.
O que queremos é como um fruto, não se pode arrancar demasiado cedo porque ainda está verde. Mas se esperarmos pela altura certa, ele sai com facilidade e está maravilhoso. Se nos desleixarmos… ele apodrece.
A espera é o preço a pagar pelas coisas que valem a pena.

Pode acontecer ainda o que queremos seja simplesmente impossível. Mas independentemente do que for, é bom não levar demasiado a sério as coisas que queremos. Assim, a vida pode surpreender-nos pela positiva, e os nossos neurónios agradecem, porque podem-se ocupar com outras coisas. Nomeadamente… o que fazer agora.