Desesperar ou manter a motivação?

Como lidamos com a adversidade? O que fazemos quando as coisas não nos correm bem? Um chumbo num teste, um fim de um namoro, um problema de saúde? Porque é que há pessoas que perante a adversidade desesperam e outras que conseguem manter-se motivadas?

Carol Dweck, professora da Universidade de Stanford, desenvolveu um estudo em que descobriu que as pessoas têm traços de mentalidade fixa e outras têm mentalidade de crescimento.

  • Mentalidade fixa é acreditar que temos características inatas, que temos ou não, e numa quantidade fixa.
  • Mentalidade de crescimento é acreditar que temos características que podem ser desenvolvidas, através do trabalho, do conselho dos outros e também do esforço.

Na realidade temos uma mistura de ambas as mentalidades: posso ter mentalidade de crescimento em certas áreas, como aprender a tirar fotografias ou tocar um instrumento, mas noutras áreas como no trabalho ou em algumas relações, ser muito rígido e fixo.

Isto não quer dizer que as pessoas não tenham capacidades e talentos diferentes, mas sim que toda a gente pode crescer e desenvolver as suas capacidades.

Porque é importante esta distinção entre mentalidades? Porque na face de obstáculos continuar a crescer e aprender é essencial: a forma como lidamos com a adversidade influencia muito a felicidade com que vivemos.

Como podemos então descobrir a nossa mentalidade?

Se tivermos mentalidade fixa achamos terrível falhar porque estamos convencidos que as nossas capacidades são limitadas e não há nada a fazer, enquanto que se tivermos mentalidade de crescimento aceitamos os desafios para crescer e aprendemos com fracassos.

Temos que estar atentos à nossa conversa interior: o que acontece quando vejo alguém que está a fazer uma coisa muito bem? Fico com inveja? Fico frustrado? Ou fico inspirado e com vontade de ser igual?

O que acontece quando tenho um obstáculo à minha frente? Penso que vou falhar, parecer idiota ou revelar quem realmente sou? Ou penso que hei-de descobrir uma forma de o ultrapassar?

O que acontece quando me dão uma tarefa nova? Fico frustrado por não saber logo resolver, ou lanço-me na expectativa de aprender coisas novas?

O problema é que muitas vezes estamos convencidos que ou temos um talento ou não temos. E que para aprender algo não devia ser preciso esforço…

Benjamin Zander, maestro veterano, conta que quando tinha apenas 11 anos estava frustrado por não estar a conseguir tocar o violoncelo bem, até que o seu maestro de 83 anos ironizou: “O quê?!? Estás a tocar há 3 minutos e ainda não consegues tocar essa música?”

Serviu-lhe de lição, mas quantas vezes não caímos nós nesta exigência sufocante? Esquecemos que para aprender algo leva muito tempo e trabalho. O facto de ter que trabalhar muito para conseguir fazer algo não quer dizer que seja burro ou mau!

Pensemos em génios que admiramos? Quer seja no trabalho, na música, na vida, o mais certo é descobrirmos ao aprofundar a sua história como todos se esforçaram imenso.

Todos temos que nos esforçar para aprender e crescer.

Devemos criar uma cultura de celebrar o progresso e não a perfeição! Lembremos uma escola em Chicago que a nota que dava aos alunos que não passavam no exame: em vez de chumbado, era “Not yet”, ainda não! Como uma ligeira mudança de linguagem pode abrir esperança e possibilidades!

Com certeza que gostamos de acertar logo à primeira, mas como é maravilhoso estar sempre a melhorar um bocadinho em vez de querer fazer logo tudo bem!

Imaginemos que estou a aprender a tocar viola. Como será diferente a experiência se cada vez que falho digo “que raiva, não consigo!”, em vez de pensar em cada novo acorde: “estou cada vez melhor, que bom!”

Devemos elogiar e encorajar o processo, o caminho de aprendizagem, não apenas o fim. E de que serve chegar ao fim se vivemos num pesadelo até lá?

Como podemos então desenvolver uma mentalidade de crescimento?

Ficam aqui 3 simples dicas, para usarmos numa próxima ocasião:

  1. Ao ver alguém com sucesso em vez de invejar, pensar “o que posso aprender?”, como me pode inspirar esta pessoa?
  2. Depois de alguma coisa que não correu bem, escrever as lições aprendi, o que tirei desta experiência? (a escrita mais do que apenas pensar, ajuda a reter a aprendizagem)
  3. Entre algo seguro, e um desafio, arriscar o desafio!

Recordemos a bonita história de 2 vendedores de sapatos que foram enviados para a África do Sul no início do séc XX. Passado algum tempo, chegaram à sede da empresa em Manchester dois telegramas: o primeiro vendedor escreveu: “Situação desesperada, ninguém usa sapatos!”. O segundo vendedor escreveu: “Oportunidade gloriosa: ainda ninguém usa sapatos! “

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