Os perigos de acumular tralha

Temos cada vez mais formas e tempo para comprar o que queremos. Mas quais os perigos que surgem daqui?

Normalmente deparamo-nos com o problema da acumulação de tralha não pela frustração existencial, mas simplesmente pela falta de espaço nos nossos armários. Sentimos que há um problema quando nos cai na cara uma prateleira cheia de tralha… Mas na realidade, interessa ir um pouco mais longe e pensar o que nos fez em primeiro lugar precisar de tanta coisa…

Procuramos naquelas calças, naqueles sapatos, naquela coisa, o que finalmente nos vai trazer a felicidade. Basta dois dias a passear por esta terra para perceber que isso é tudo conversa… e que continuamos na mesma, mas simplesmente com mais coisas no armário!

Caímos ingenuamente na tentação de achar que será aquele objeto a satisfazer esta necessidade que tenho, mas raramente resulta. A consequência? Em vez de repensarmos o que nos deixa frustrados, repetimos a acumulação perpetuamente na esperança que algo misteriosamente mude… mas nada muda. Só mais tralha e menos espaço para a guardar.

No fim do ano acumulamos um triste saldo: um amontoado de coisas e o ressentimento de essas coisas não nos terem dado o que verdadeiramente queríamos.

Comecemos então por nos livrar do que não precisamos. Consideremos algumas perguntas que nos podem ajudar a livrar-nos do excesso de coisas que temos em casa:

  • Nos últimos 6 meses tenho usado isto?
  • Isto acrescenta valor e alegria à minha vida? (Thanks Marie Kondo)
  • Eu preciso mesmo disto? Vou usar nos próximos meses?

Se a resposta é verdadeiramente sim , ótimo, desfrutemos! Se é um “posso vir a usar isto num baile de máscaras” ou “gostei de usar isto há 5 anos” ou “pode vir a dar jeito, porque nunca se sabe…” enfim já sabemos, é um não! E se é um não… então é tempo de nos libertarmos!

O perigo de acumularmos tralha não é apenas estoirar dinheiro desnecessariamente, é achar que isso nos comprará a felicidade! O maior custo da tralha nem é o dinheiro gasto ou os armários que enchemos, é o espaço que rouba à nossa felicidade. Ironicamente afastamos o que andamos à procura.

Será que conseguimos acompanhar a nossa capacidade de comprar coisas, com a liberdade de nos servirmos bem delas?

Mas não basta livrar-nos do que temos a mais, embarcando numa onda minimalista, mas mantendo uma obsessão pelo controlo absoluto da nossa vida. Devemos antes ganhar liberdade em relação ao que temos, servir-nos das coisas antes que elas se sirvam de nós! A chave é o desprendimento, o desapego. Viver e desfrutar livremente das coisas que temos.

Há por isso uma nova alegria à disposição: a alegria de dar o que tenho! Troquemos a ganância de comprar pela alegria de dar. Porque não vender ou oferecer a quem precisa alguma roupa? Porque não dar o que tenho a quem precisa? A alegria de comprar é diferente da alegria de dar. Uma é efémera, outra dura mais. Uma é para mim, outra é para os outros. Uma é para consumir coisas, outra é para consumar a vida.

Vivamos assim criativamente e agradecidos com o que temos. Desfrutando alegremente das coisas e quando já não nos servem, podemos vender ou dar a quem precisa. Mas mantenhamos sempre liberdade e desapego em relação às coisas, para preservar o mais importante: não o espaço em algum armário, mas o espaço no coração para as coisas que realmente importam.

2 pensamentos

Comenta aqui

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s